🎤Sobre o estado de anti-banda
Estar no palco é fisiológico para uma banda. Tudo o que temos, o palco toma para ele; tudo o que nos volta, transformamos em ímpeto pra continuar. Aquilo que o palco empresta, não há forma de devolver senão retornando pra lá e se apresentando ao público: sejam centenas de pessoas em polvorosa ou dois bêbados cansados e um garçom.
Compor canções é criar uma identidade, mas o exercer da música como ofício acontece nos elevados de 10x5m, no piso de madeira da festa da cidade, no cantinho iluminado de um bar aconchegante ou na lona estendida sobre a grama molhada de uma praça. Num palco pra chamar de nosso.
Dito isso: nosso estado atual é de uma anti-banda. Uma não-banda. Um acidente guardado em casa, doido pra acontecer. Uma substância em Curitiba, dando aula de inglês e cuidando de gatinhos
@pandafirofa ; outra em Joinville, editando vídeos e estudando cinema pra enganar a quarentena
@leonardoroq ; outras duas em São Francisco do Sul. Uma, escrevendo pra trabalhar e escrevendo pra desestressar
@evaldinhoneto ; a última substância, também dando aula de inglês e fazendo canções
@fredourico .
A gente não sabe o que vai ser de nada. Tem mais de um ano que não tocamos com nosso amigo Fred. Tem mais de 6 meses que não tocamos juntos de qualquer jeito.
E quanto às bandas próximas: as que já tocamos junto, as que já assistimos empolgados. Como vão os colegas da região?
@somaarock @fevereirodasilva @the.scumbags @projeto_676 @horney.band @ouvindobomfim e muitos outros.
Difícil saber. Difícil lidar. Cada um tem dado seu jeito: gravação a distância, live, show online, pausa pra repensar os projetos. Alguns com material novo, outros que se preparavam pra isso.
Por aqui, continuamos gravando o podcast Paralelas e tentando algumas músicas despretensiosas a distância, pra preencher esse espaço impreenchível do palco. Espaço cheio de suor, palheta que escapa da mão, corda que estoura, som que falha, garganta que arranha e desafina. Cheio de vida. Segunda-feira é dia de saudade.
Esperamos poder tocar, logo. Nem que seja um ensaiozinho. Um show pequeno. Só pra olhar no olho e fazer o que a gente mais gosta de fazer: canção. E por aí?