Posted On: September 15th 2024, 01:44 pm
Em desastres, podemos sentir que somos pequenos demais para ajudar ou acreditar que nossas ações são grandiosas e nos ver como heróis. No entanto, a verdade é que, mesmo com boas intenções, não somos tão poderosos e nossas ações nem sempre têm o impacto esperado.
Durante o período, encontrei muitas pessoas que vinham apenas para um dia, movidas pela curiosidade, mais interessadas em observar do que em contribuir de forma significativa. Muitas vezes, essas pessoas expressavam opiniões sem compreender o contexto. Por outro lado, conheci inúmeras pessoas maravilhosas que vieram para aprender e se comprometeram verdadeiramente com as crianças e adolescentes, dispostas a voltar e continuar ajudando.
Trabalhei com diferentes equipes, incluindo a ADRA, a prefeitura, o conselho regional de educação física e, por fim, a UNICEF.
Essa experiência me mostrou mais uma vez que a vida requer da gente humildade e sensibilidade.
Percebi que, mesmo com as melhores intenções, às vezes colocamos outras pessoas em uma posição de inferioridade, deixando o orgulho ou a ânsia por poder tomar conta. Nosso trabalho ao ajudar deve demonstrar, através das palavras, ações e, principalmente, da escuta, que cada pessoa tem habilidades e potencialidades e é digna, tanto quanto quem está ajudando.
Receber essa homenagem foi uma surpresa. O que fiz, na verdade, foram tarefas como abrir e fechar ginásios, entrar em contato com pessoas que podiam nos ajudar, montar escalas de atividades, dar banho em crianças em situações específicas, ouvir famílias, fazer aviãozinho de arroz e feijão para quem já não conseguia mais comer a marmita, conversar com adolescentes sobre dr0g4s, valorizá-los e conseguir doações para coisas específicas que precisávamos.
Não salvei ninguém, mas espero ter causado um impacto positivo. Fui apenas uma pessoa trabalhando em conjunto com outras.
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