Posted On: September 15th 2022, 07:45 pm
O tempo que perdemos estava na palma da nossa mão.
Pois é.
A gente costuma deixar escorrer nossos desejos, encher nossa vida de não e nos enrijecer.
Mas o que é vivo se mexe, pulsa.
Não somos uma cadeira, somos seres humanos; e o que nos faz ser humano?
Essa pergunta me acompanha em diferentes formatos e um dos pensamentos que percebo é a
capacidade que temos de nos afetarmos pelas coisas. Sim, de afetos.
Não precisam ser grandes acontecimentos, me refiro aos pequenos mesmo, dito até insignificantes.
Uma formiga carregando uma folha, a sabedoria de um cão ao se alongar, a compaixão de um amigo ao ouvir um desabafo...
Isso é de uma potência tão forte.
São detalhes que vão nos costurando e nos fazem pulsar pela simplicidade de existir; e nos movem para viver.
Há outras linhas dessa costura, mas opto por destacar a elegância desapercebida do simples.
Quando simplificamos, sentimos o tempo em nossas mãos pulsando, mas dessa vez o tempo não é perdido.
O tempo agora atravessa nossas mãos, que sustentam nossas costuras pelos desejos de viver.
Porque o sentido da vida é viver, e somos nós que damos o sentido desse viver.