Posted On: October 31st 2022, 07:19 pm
A lágrima de hoje, apesar de carregar o pavor, a tristeza e desesperança dos últimos anos, é outra daquela de 4 anos atrás.
A lágrima de hoje acredita ser possível um mundo mais justo, uma sociedade mais igualitária, um sistema mais social. Ela crê na convivência menos desastrosa com o meio ambiente, na preservação da Amazônia, no poder da cultura brasileira, dos povos nativos, das nossas raízes.
A lágrima de hoje se produz enquanto volta a sonhar. Acumula-se no anseio por mais arte, mais ciência, mais matas, mais educação, mais diversidade, mais cotas, mais amor. Ela escorrega cicatrizando uma ferida enorme, ardente e podre. Desce embalada ao som do maracatu, do forró, do samba de coco.
A lágrima de hoje escorre na esperança de que os fascistas (racistas, misóginos, homofóbicos, xenófobos e aporófobos), legitimados pela humanidade que lhes faltam, retornem para seus lugares de meros monstro sociais.