Lá no centro do encanto escondido
Onde o mapa vira poema,
Tem um chão de silêncio aguçado
E um céu que declama um teorema.
Chapada é palavra encantada,
É canto que canta sozinho.
É beata vestida de pedra,
É xamã disfarçada de ninho.
Cada serra é um verso enrolado
Nos cachos do vento que ensina,
Cada gruta é um grito calado
Na boca da noite diamantina.
O cipó vira linha do tempo,
Cada trilha é um rito que chama,
E a cascata batendo no peito
É tamborim da alma que inflama.
Quem caminha por dentro da pedra
Vai sentindo o corpo sumir —
Não se anda, se atravessa
O portal do próprio existir.
Tem mirante que espia o futuro,
Tem raiz que decifra passado,
E tem vento que sopra em segredo
“Volte sempre... mas volte mudado.”
Todo ano ela acende o sinal,
Sem relógio, nem rede social.
Ela chama no tom do instinto,
Na frequência do espiritual.
Não tem wi-fi, mas tem conexão,
Não tem poste, mas tem direção,
Pois a bússola aqui é o peito,
E o GPS é a intuição.
Chapada não se visita,
Chapada se vive, se crava,
Ela escreve em você com silêncio
E assina com luz na sua lava.
Então vá, mas vá sem defesas,
Deixe o ego na beira da estrada.
Pois quem tenta domar a grandeza
Vira eco na pedra calada.
E se o mundo pesar de novo,
Se a alma esquecer seu lugar,
Escute a voz do abismo doce:
“A Chapada vai te esperar.”
✏️ Coelho, Renato.
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