Posted On: September 30th 2025, 08:53 pm
No calor simples da mesa,
entre risos, histórias e pão,
encontro pedaços de mim
que um dia ficaram pelo caminho.
Eles — meus irmãos —
não me perguntam por onde fui,
apenas abrem espaço no sofá
como quem diz: “fica.”
Nos olhos deles, o tempo se desfaz,
e sou de novo aquele menino
que sonhava com mundos maiores,
sem medo de cair.
Cada abraço é um remendo suave
na roupa rasgada da alma,
cada conversa, um fio novo
tecendo o tecido do que sou.
Com eles, não preciso provar nada.
Posso ser cansaço e esperança,
despedida e retorno,
ferida e cura.
E nessa presença que me reconhece,
descubro que recuperar-se
não é voltar a ser quem fui —
é lembrar que nunca estive só.