Posted On: February 22nd 2026, 01:00 pm
E se um artista decidisse conversar com um mestre do passado — usando pincéis em vez de palavras?
Foi exatamente isso que Pablo Picasso fez ao revisitar “Las Meninas”, de Diego Velázquez. (@museupicasso )Em 1957, ele criou 58 versões da obra, explorando diferentes enquadramentos, cores e formas.
Entre essas variações, catorze são dedicadas à infanta Margarida Teresa da Espanha — filha de Filipe IV da Espanha. Ela vira o centro dessa investigação visual.
Em algumas pinturas, Picasso simplifica as formas; em outras, intensifica as cores. A infanta aparece frontal, marcante, muitas vezes com aquele efeito típico do artista: o rosto visto ao mesmo tempo de frente e de perfil.
O fundo se dissolve em manchas e planos de cor, fazendo com que nosso olhar vá direto para a figura. Não é distração — é escolha.
Em certas versões, Margarida recebe o pequeno vaso (búcaro) das mãos de sua menina, retomando o gesto presente na obra original, hoje no Museo del Prado. Mas, nas mãos de Picasso, a cena vira estudo de pintura: ritmo, estrutura, presença.
Mais do que copiar Velázquez, ele propõe um diálogo entre séculos.
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