Posted On: March 20th 2026, 09:03 pm
porque eu sinto que, quando uso uma ferramenta de AI, um pedacinho de mim morre?
talvez seja uma grande contramão em um mundo tão entusiasmado pelas infinitas possibilidades e capacidades dos LLMs. me pergunto da onde vem o meu luto. o que exatamente se perde?
existe uma dor do não saber. uma dor que, ao ser sentida quase fisicamente, nos move em direção à experiência. o estado de ignorância e de curiosidade que, pelo menos pra mim, são os únicos capazes de nos levar a um processo vivido de aprendizado. eu disse vivido.
um processo com texturas, com desejo. um processo com coragem, com medos, com trocas, com frustrações. mas talvez só o processo seja capaz de gerar gozo.
o que é sequestrado da gente quando todas as respostas estão a um clique de distância?
diz a lenda que, entusiasmado com a descoberta, arquimedes correu nu pelas ruas de siracusa gritando “eureka!”. gente, ele saiu correndo pelado. imagina que brisa.
que privilégio estar viva para entrar numa sala e ver e ouvir dr. timnit gebru e karen hao abordarem com destreza as armadilhas de um projeto totalitário de AI e provocarem sobre a descentralização desse projeto.
que alegria entrar em salas de cinema em que filmmakers independentes dão vida a histórias que escolheram contar, muitas vezes com zero orçamento, e estão radiantes pelo que acabaram de jogar no mundo depois de muitas camadas de uma experiência coletiva e maluca de produção. trocar ideia com eles depois da sessão: gostoso demais.
viver a alanis girando a cabeça no palco e cantando com aquela boca imensa
viver tom a. smith e kat com um frescor rock’n’roll surrealmente icônico em um palco minúsculo
há nascimentos, sim, na “era do AI”. só espero que mais descentralizados e humanos, se possível. também porque eu não quero perder o tesão de viver.
não tenho a menor ideia do que fazer com o que senti esses dias aqui no SXSW. mas gosto do que vince gilligan falou no palco, quando perguntado sobre o que era a série pluribus: “eu também não sei, mas que bom que as pessoas sentem coisas”
*esse texto não foi revisado pela AI, pode conter humanidades
Load More