A arte não morreu.
Ela só cansou de gritar.
Gritar contra a proibição,
pessoas vazias sem presença poética,
E mas ferozmente contra os que insistem em dessacraliza-la.
Agora vive em silêncio,
escondida nas coisas pequenas,
respirando devagar
dentro de quem ainda sente.
Ela mora no agora.
No instante que ninguém posta,
na palavra que não vira tendência,
no olhar que demora mais do que devia.
A poesia da noite sabe disso.
Chega cansada, quase apagando,
mas ainda quente —
prova de que algo insiste em viver.
Porque a arte não precisa de palco.
Ela precisa de presença.
Está em tudo,
em todos,
mesmo nos que esqueceram
como olhar pra dentro.
E talvez seja isso que falte:
pausar,
sentar com o próprio silêncio,
escutar o que ainda pulsa
sem pressa de virar algo.
A arte não acompanha o hype.
Ela sobrevive a ele.
Ela espera.
Ela sabe esperar.
Como quem entende
que o tempo certo
não se força —
se encontra.
E quando encontra,
ela nasce de novo
no gesto mais simples:
num verso torto,
num traço inseguro,
num sentimento que não coube no peito.
A arte vive
quando você aceita quem é,
quando carrega sua história
sem esconder,
quando cria mesmo duvidando.
Porque ser capaz
não é acertar sempre —
é continuar tentando
mesmo cansado.
E até nisso existe arte:
no descanso.
No momento em que você para,
respira,
e deixa o mundo seguir sem você
por um instante.
Ali,
no silêncio,
no cansaço,
no agora —
a arte ainda respira.
— Caelum
Arte por:@hapypx (qualidade da foto melhorada com IA)
Este poema foi feito em homenagem ao álbum "Artífice" do artista
@raphyxz. Esse cara é mais que um musicista, ele é a prova de que a arte respira mesmo quando tudo tem afogá-la.
Parabéns pelo álbum mano, ele foi facilmente um dos melhores que já escutei
(Faz show em SP pfvr 🙏)