Posted On: March 23rd 2026, 08:30 pm
A História de Mira contada pelos seus Palheiros
A Praia de Mira guarda as histórias dos homens que a desbravaram. Os primeiros pescadores, diz-se, terão vindo do Norte, de Esmoriz e de Ílhavo. No princípio, as suas vidas eram tão móveis como as dunas: as primeiras companhas vinham apenas no verão, retornando às suas origens quando o inverno se anunciava. O povoado permanente nasceria mais tarde, com o primeiro registo de batismo a datar apenas de 1830, sinal de uma comunidade que lentamente fincou raízes na areia.
Para se abrigarem, ergueram os palheiros. Estes não eram, como noutros lugares, casas de palha ou celeiros. O nome vem do material que os cobria: o filhado era de colmo, pois trigo, por aqui, não havia. Eram construções de madeira, toda ela trazida de longe, em carros de bois, numa época em que os sete quilómetros de dunas eram "carequinhas", areias soltas e movediças. Sobre uma estacaria que impedia a areia de os enterrar, cresceram. E, com o tempo, alguns atingiram dois e três andares, sinais de famílias mais abastadas, uma particularidade que distingue Mira de outras praias.
As tábuas destes primeiros palheiros não se alinhavam horizontalmente, como na vizinha Costa Nova. Eram postas "em escama", um casco de madeira que protegia da maresia. Estes palheiros não eram apenas abrigos para o trabalho. Cedo, tornaram-se refúgios de verão para forasteiros.
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