Posted On: April 24th 2026, 10:22 am
Clara na sua ausência tão presente. Patrícia. Vânia.
No SOMA, fotografadas por Lais Pereira. Sobre o fim do isto não é um cahimbo, projeto da Braga 25.
Vontade Radical.
Há algo de combativo que está de alguma forma a fervilhar do lado do avesso. Somos 3 no gineceu. Tão diferentes. Três mulheres a lutar juntas. É bonito quanto não acontece de forma calculada para construir uma narrativa artificial, e isso quer dizer umas quantas coisas.
Irredutíveis, combativas, severas de língua afiafa, com medo-sem medo. Mas não basta ser isso para transmutar. É preciso cuidar, exertar, imaginar e amar a utopia comunitária.
É preciso não deixar a vontade de desistir e abandonar tudo ganhar.
A raiva é um fogo que é preciso manter aceso no ponto certo. E esse é o maior exercício de equilibrismo que temos. Saber alimentar o fogo sem acabar em cinzas.
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Apesar das fotografias bem tiradas, não temos interesse em aparecer enquanto rosto. Não queremos que a Cravina seja um coletivo fechado e estático. Queremos que seja um movimento burcado.
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O que mais aprendemos não foi na universidade foi, e é, na rua, com as pessoas.
A academia não consegue ultrapassar o conhecimento que se partilha em espaços auto-geridos.
A academia é um papel dourado sem nada escrito.
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Hoje, sabemos todas, que as vontades e as lutas não se concretizam por descreto.
As narrativas anti-coloniais, anti-imperialistas, comunitárias e horizontais são um trabalho a tempo inteiro, de todos os dias. Porque o ódio está a ganhar sem folgas. Há coisas que não se afirmam mas que se são. Só o ato pode concretizar a palavra.
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E por isto e tudo, continuaremos cá, com a Gisberta e o Alcindo como memória ativa. Ativa a nossa raiva, o nosso amor. E acima de tudo, a nossa vontade.