Posted On: May 9th 2026, 06:57 pm
O Dia das Mães mexe muito com meu coração.
Perder alguém que amamos de repente é um choque avassalador, mas se despedir lentamente de quem nos deu a vida é uma das dores mais dilacerantes que existem. Ninguém sai desses momentos a mesma pessoa. É um longo caminho de descobertas entre quem éramos antes e quem nos tornamos após a perda.
No nascimento, o romper do cordão umbilical no parto é o nosso primeiro descolamento físico e a nossa primeira despedida de quando éramos uma só.
Na morte, aquele último abraço, toque na mão, é um rompimento definitivo. É saber que aquela pessoa que deu tudo de si por você não estará mais ali fisicamente.
A sensação de abandono, de estar sozinha no mundo e o peso da distância definitiva é real, é um vazio imenso. Entender que essa solidão não é a verdade absoluta exige tempo e amadurecimento, e acolher essa ausência e um processo longo de cura.
Nunca compartilhei esta segunda foto. O único que sabia da existência dela era o Marcelo. Naquele dia, enviei a ele e com o coração apertado disse: minha mãe já não reconhece o mundo ao redor, mas naquele abraço, ela me reconheceu. E eu soube que ali que seria o último das nossas vidas e que nunca mais teria de novo.
Minha mensagem para este Dia das Mães é simples: Não esperem, deem flores em vida. Amem, beijem e vivam cada segundo ao lado de quem amam. O amanhã é incerto, mas o amor que demonstramos hoje é o que permanece e nós nunca sabemos quando será o último abraço.