Posted On: July 3rd 2026, 02:16 pm
ESPÓLIO EPIDÉRMICO
A pele é um dos primeiros órgãos a iniciar a formação no desenvolvimento embrionário, a partir do ectoderma. Isso acontece por volta da 3ª semana de gestação, e sofre maturação pelo resto dela.
Durante o percurso, nossa casca ganha características de um baluarte, um protetor, que filtra o que transita entre interno e externo. Ainda imerso no ambiente intrauterino, se desenvolve a vernix caseosa, que prepara a pele para o primeiro contato com o outro lado.
Desde o início, a pele já é proteção, conforto e lar.
Diferente de outros seres, que realizam a ecdise e trocam sua pele de forma abrupta, nós temos nosso próprio modus operandi. Nosso sistema cutâneo está em constante renovação.
Mas esse ciclo gera camadas, sobreposições e acúmulo.
Nossas máscaras sociais mimetizam nossa pele. Elas filtram como o mundo exterior interage e interpreta nosso ser. Da mesma forma que um gume atravessa nossa defesa e nos deixa cicatrizes, os afetos e desafetos se estampam em nosso âmago.
Mas e quando a pele deixa de ser lar? Quando o “eu” não cabe mais nessa pele que por tanto se fez conforto e segurança? Quando as relações externas modificam tanto nossa pele que já não mais nos identificamos como os mesmos de antes?
rafineas
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