a month agoFranco, o que é mais valioso hoje para os veículos comunicação em massa não a atenção do telespectador, é a confiança. Você espalhando essa fake news de que Lula disse que o ladrão rouba celular pra tomar uma cervejinha destrói completamente esta confiança que o telespectador tinha com a emissora onde você apresenta seu programa matinal. Reveja suas atitudes.
a month agoLula nunca disse que ladrão rouba celular pra tomar uma cervejinha. Essa história surgiu de um vídeo editado de uma entrevista de Lula de 25 de agosto de 2017, e passou a circular como desinformação, especialmente nas redes sociais e no contexto eleitoral de 2022. O ponto importante é que Lula realmente falou sobre roubo de celulares e também falou em “tomar cerveja” na mesma entrevista — mas em momentos diferentes e sobre assuntos diferentes. O vídeo que viralizou juntou as duas falas para criar outro sentido. O que Lula disse originalmente ? Ao falar sobre violência em Pernambuco, Lula afirmou, em essência, que uma pessoa que perdeu emprego e perspectivas poderia entrar em uma situação de desespero e disse: “Para que [uma pessoa] roubar um celular? Para vender. Para ganhar um dinheirinho.” Em seguida, afirmou que considerava a violência relacionada à desesperança econômica. Em outro momento da entrevista, falando sobre a rivalidade entre torcedores de Santa Cruz e Sport, Lula disse que eles eram adversários durante os jogos e depois poderiam ir ao bar “tomar uma cerveja juntos”. O vídeo manipulado cortou e juntou esses trechos, fazendo parecer que Lula estava dizendo: “O ladrão rouba o celular para tomar uma cervejinha.” Essa frase, nesse sentido, não foi dita por Lula. A Lupa classificou a alegação como falsa, e o próprio TSE registrou em decisão relacionada à propaganda eleitoral que Lula não havia defendido que ladrões roubassem celulares para tomar cerveja. Quando a história ganhou grande repercussão? O conteúdo já circulava antes, mas ganhou enorme repercussão durante a campanha presidencial de 2022. Em julho daquele ano, Jair Bolsonaro passou a fazer essa acusação publicamente, e posteriormente a utilizou também no debate presidencial. A checagem da Lupa registra que Bolsonaro repetiu a alegação em julho e no debate de 30 de setembro de 2022. Portanto, a origem pode ser resumida assim: entrevista real de 2017 → edição que juntou duas falas diferentes → circulação nas redes → exploração política da versão editada em 2022.
