Posted On: July 25th 2026, 02:42 pm
Esses dias assisti A Vida de Chuck, baseado em uma obra de Stephen King. Dias depois, me deparei com um verso de Walt Whitman: “Sou vasto, contenho multidões.” Desde então, essa frase não saiu da minha cabeça.
O engraçado é que o incômodo não era pela frase. Era por quem a escreveu, um poeta branco do século XIX e de como me vi profundamente atravessada por isso.
Daí veio a pergunta: qual é o problema da contradição?
Talvez nenhum. Talvez a gente tenha aprendido a acreditar que coerência significa nunca sermos surpreendidos. Mas a vida não funciona assim.
A arte, às vezes, alcança um lugar em nós que existe antes das nossas certezas. Ela toca algo tão profundo que, por alguns instantes, desmonta todas as categorias com as quais organizamos o mundo.
Não significa que temos que esquecer a história ou ignorar as relações de poder.
Significa reconhecer que existem obras que conseguem nomear algo que já existia dentro de nós, mas que ainda não tinha encontrado palavras. Talvez seja isso que Whitman quis dizer quando escreveu que continha multidões.
Agora me pego durante o dia pensando em como sou vasta e em como contenho multidões. Uma epifania de emoções que não dá pra traduzi em palavras… só sentir