Essa obra de arte retrata muito bem o exercício da Medicina. O homem de pé representa o Médico, que afasta o abraço nefasto da caveira, seja ela a morte, o sofrimento ou a disfunção, da mulher que carrega em seus braços.
Ele está ereto, usando apenas as mãos para afastar o mal enquanto sustenta a paciente.
Ela, desnuda, está exposta e frágil, desprotegida e ao mesmo tempo completamente entregue. A moléstia, ajoelhada, não tenta necessariamente uma manobra assassina contra a vítima, mas a puxa para baixo, enquanto ela mesma tenta se erguer.
A Medicina é exatamente isso. Não importa o quanto a tecnologia avance, a maior força do Médico está no conhecimento e na capacidade de se importar.
Não é preciso aparato ou ferramenta, é preciso postura, firmeza, cabeça e coração.
O paciente, seja qual for a gravidade do caso, é sempre alguém vulnerável, entregue a um desconhecido pela própria condição de leigo, e merece toda a delicadeza e atenção de quem está aflito e perdido no sofrimento.
A doença, essa visita ingrata e sempre inesperada, mesmo quando não é fatal, sempre diminui nossas forças, nosso tempo, nossa alegria de viver.
Existem médicos que aprenderam a tratar doenças, médicos que tratam exames, médicos que tratam apenas o que veem, mas ainda existem aqueles que tratam pessoas.
@pietromannarino