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3 months ago
Co Creator: juliadamattam
DESDOBRA

tem um olhar. um certo olhar. único.

a gente passa tanto tempo tentando descobrir quem é, como se existisse um ponto final. uma versão definitiva de nós mesmos escondida em algum lugar, esperando para ser encontrada. como se bastasse cavar fundo o suficiente até encontrar a resposta. e, então, pronto. “agora eu sei quem sou.”

talvez a beleza esteja justamente no fato de que a gente nunca termina de chegar. 

porque a vida continua nos atravessando, deslocando móveis, abrindo janelas, fechando portas. ela muda o mundo ao nosso redor e, inevitavelmente, muda também quem mora dentro dele.

sabe quando você está vivendo um momento, daqueles absolutamente singelos, e várias coisas passam pela cabeça? como se o olhar fosse capaz de sorrir e traduzir tudo o que o coração quer transbordar, tudo o que a alma quer transmitir.

é um instante curioso porque, por fora, quase nada acontece. mas, por dentro, uma vida passa.

você lembra das suas versões. das perguntas que fez. das dores que atravessou. das conversas que teve consigo mesma. 

lembra de cada vez que precisou rearrumar a casa.

abrir espaço para novos afetos. rever certezas que pareciam inabaláveis. acolher perguntas que nunca encontraram resposta. entender que há coisas que só fazem sentido depois que passam. aprender que nem tudo o que preenche permanece e nem tudo o que vai embora deixa vazio.

e, sem perceber, você foi organizando os cômodos de si.

(...)
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Posted On: August 16th 2026, 09:00 pm
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DESDOBRA

tem um olhar. um certo olhar. único.

a gente passa tanto tempo tentando descobrir quem é, como se existisse um ponto final. uma versão definitiva de nós mesmos escondida em algum lugar, esperando para ser encontrada. como se bastasse cavar fundo o suficiente até encontrar a resposta. e, então, pronto. “agora eu sei quem sou.”

talvez a beleza esteja justamente no fato de que a gente nunca termina de chegar.

porque a vida continua nos atravessando, deslocando móveis, abrindo janelas, fechando portas. ela muda o mundo ao nosso redor e, inevitavelmente, muda também quem mora dentro dele.

sabe quando você está vivendo um momento, daqueles absolutamente singelos, e várias coisas passam pela cabeça? como se o olhar fosse capaz de sorrir e traduzir tudo o que o coração quer transbordar, tudo o que a alma quer transmitir.

é um instante curioso porque, por fora, quase nada acontece. mas, por dentro, uma vida passa.

você lembra das suas versões. das perguntas que fez. das dores que atravessou. das conversas que teve consigo mesma.

lembra de cada vez que precisou rearrumar a casa.

abrir espaço para novos afetos. rever certezas que pareciam inabaláveis. acolher perguntas que nunca encontraram resposta. entender que há coisas que só fazem sentido depois que passam. aprender que nem tudo o que preenche permanece e nem tudo o que vai embora deixa vazio.

e, sem perceber, você foi organizando os cômodos de si.

(...)
Comments (1)
oceanar_se 3 months ago

oceanar_se

(...) não para encontrar uma versão definitiva de quem é, mas para continuar se tornando. até que um dia a vida oferece um momento qualquer. um gesto. um silêncio. um abraço. um voo. um café. e, de repente, você não enxerga apenas o momento. você enxerga todo o caminho que te permitiu vivê-lo desse jeito. o sorriso que nasce é para quem observa a beleza das coisas que parecem ordinárias. e a felicidade por experienciá-las. é um agradecimento silencioso à quem que suportou a bagunça, insistiu na reforma e acreditou que, mesmo sem existir uma casa perfeitamente pronta, ela sempre poderia se tornar um lugar melhor para morar. talvez seja esse o tal olhar… e a possibilidade de enxergar a vida por meio dele. aquele que sorri porque reconhece, na simplicidade de um instante comum, toda a beleza invisível de continuar aprendendo a morar em si. texto @oceanar_se

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