Posted On: August 25th 2026, 11:08 pm
Produzir arte é uma das melhores maneiras de expressar o que ainda não chegou ao discurso e, por isso, não cabe nas palavras. Aquilo que entalou em um nó na garganta. Na psicanálise, o conceito que conversa com essa ideia é o de sublimação.
A psicanálise chama de sublimação o ato de dar outro destino àquilo que nos atravessa: o desejo, a angústia, a falta ou o excesso. É o que muitas vezes produz poemas, pinturas, letras de música, fotografias, uma coreografia, um ballet. A sublimação seria externalizar e dar uma outra forma ao que estava preso dentro da gente. De uma forma simplificada, algo do desejo continua a existir, mas muda de forma, o que é bem diferente da repressão, que seria apenas a negação desse desejo.
Um dos presentes que recebi de aniversário foi o livro 'Nada mais triste que um poeta feliz'. Em algum sentido, nosso trauma, nossas dores, aquilo com que é difícil lidar, encontra um campo fértil nas artes. Lacan diz que a sublimação 'eleva um objeto à dignidade da Coisa'. O artista pega algo aparentemente comum e faz aquilo carregar uma dimensão muito maior. Uma cadeira, um corpo, uma ausência, uma lembrança, uma estrada, uma pessoa amada podem se tornar o lugar onde algo do desejo e da falta aparece.
Isso não significa que a arte preenche a falta, mas dá uma outra forma a ela.
Algo que me encantou no discurso da Taylor é o fazer arte por diversão, por prazer. Longe do olhar do outro, aquele olhar julgador que mata os sonhos. Winnicott afirma que a criatividade verdadeira requer esse espaço onde a pessoa possa brincar e experimentar.
Você tem sublimado ou reprimido? É importante lembrar que tudo o que reprimimos volta como sintoma.
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Credits of the images: iHeart Radio
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