Posted On: September 28th 2026, 04:50 pm
Embora seu trabalho tenha dialogado diretamente com a Pop Art, Rubens Gerchman rejeitava a ideia de ter “trazido” o movimento para o Brasil. Para ele, a Pop Art foi um fenômeno global, impulsionado sobretudo pelo poder econômico e cultural dos Estados Unidos, que permitiu sua rápida difusão pelo mundo. Ao mesmo tempo, outros movimentos importantes despontavam nos anos 1960, como a Nova Figuração na Argentina e na Espanha, ou a Minimal Art e a Body Art em diferentes centros artísticos, todos eles se alternando em destaque conforme os interesses do mercado e do sistema das artes.
No Brasil, o que se formou nesse contexto foi algo próprio: a chamada figuração brasileira, que colocou artistas do país em igualdade com nomes de outras partes do mundo em exposições internacionais. Essa produção incorporava elementos do cotidiano popular, da mídia de massa e do imaginário urbano, transformando-os em ferramentas de crítica e reflexão.
Gerchman foi um dos nomes centrais dessa construção. Obras como A Ditadura das Coisas, A Bela Lindonéia, SOS, Ar e As Professorinhas traduziram em imagens a tensão de um país em crise política e em plena ruptura democrática. A cidade, com suas contradições e símbolos, tornou-se sua matéria-prima para discutir desigualdades, opressões e desejos coletivos.
Confira um pouco desse pensamento no vídeo que mostra uma entrevista do artista ao programa Arte é Investimento, em 1988.
GERCHMAN, Rubens, A Ditadura das Coisas, 1965, Acrílica sobre Eucatex e técnica mista, 122 x 82 x 10,5