Há quase 100 anos, elas já tinham um lugar para chamar de seu.
Paris, anos 1920 e 1930. Enquanto a sociedade tentava ditar como uma mulher deveria se comportar, o Le Monocle reunia mulheres que queriam beber, dançar, paquerar, beijar e simplesmente estar entre outras mulheres.
Fundado pela empresária Lulu de Montparnasse o bar foi aberto no Boulevard Edgar-Quinet. O Le Monocle se tornou uma das boates lésbicas mais famosas de Paris. Por lá, era comum encontrar mulheres de smoking, gravata, calças e cabelos penteados para trás. O monóculo, inclusive, acabou se tornando um discreto código de reconhecimento entre lésbicas.
E elas não estavam exatamente escondidas. O lugar virou ponto de encontro de artistas, intelectuais e mulheres influentes, chegando a ter até uma orquestra formada exclusivamente por mulheres.
Em 1932, o fotógrafo Brassaï conseguiu entrar no Le Monocle através de Claude, uma frequentadora assídua. O que ele registrou foi uma noite como tantas outras: mulheres abraçadas, amigas bebendo, mesas cheias e muita gente simplesmente vivendo.
Mas aquela liberdade não duraria para sempre. Durante a ocupação alemã da França, na Segunda Guerra Mundial, o Le Monocle foi obrigado a fechar.
Quase um século depois, as fotografias permanecem.
E talvez seja isso que mais impressiona: antes de existirem os espaços que conhecemos hoje, elas já estavam criando os seus. 🥂🏳️🌈
Deslize para conhecer um pouco dessa história.
No último slide: o endereço onde funcionava o Le Monocle, no número 60 do Boulevard Edgar-Quinet, em Paris, nos dias de hoje.
Hoje podemos frequentar bares, ocupar espaços, amar em público e viver nossas histórias com mais liberdade porque muitas mulheres vieram antes de nós e resistiram.
Por isso, valorize, fortaleça e frequente espaços criados para mulheres lésbicas, bissexuais, pessoas sáficas e queer. Bares, festas, coletivos e eventos são mais do que lugares de encontro: são espaços de pertencimento, memória e comunidade.
Cada vez que ocupamos esses lugares, mantemos viva uma história que começou muito antes de nós e ajudamos a garantir que ela continue existindo para as próximas gerações.
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