Posted On: September 21st 2026, 09:56 pm
“Mas ele parecia bem.”
Talvez uma das coisas mais difíceis de compreender sobre o sofrimento psíquico seja justamente esta: nem sempre ele corresponde à imagem que esperamos encontrar.
Uma pessoa pode trabalhar, conversar, cumprir compromissos, fazer planos, sorrir — e, ainda assim, estar atravessando um sofrimento importante.
Por isso, precisamos ter cuidado com aquilo que concluímos apenas pelo que conseguimos enxergar.
Não existe uma aparência única para o sofrimento.
Não existe um comportamento que, sozinho, explique o risco de suicídio.
E também não existe um único acontecimento capaz de contar toda a história de uma pessoa.
Quando alguém diz que não está bem, não precisamos primeiro encontrar sinais que comprovem essa dor para então levá-la a sério.
Talvez o cuidado comece justamente aí:
menos em tentar descobrir se alguém “parece” estar sofrendo e mais em conseguir escutar o que essa pessoa está dizendo — e o que vem vivendo.
E se o suicídio tem aparecido como possibilidade para você, ou se você atravessa o luto por uma perda por suicídio, essa experiência merece espaço para ser falada e cuidada.
Meu Direct está aberto para essa conversa.
Igor Melo | Psicólogo