Caça-palavras
Que palavra explica?
No bar e ruidoso, ela se senta à janela, sozinha.
Pede uma cerveja e um petisco.
Não observa a chuva, nem as pessoas ao redor.
Abre a bolsa e tira um caça-palavras.
Concentra-se em matar as charadas.
Que charada é essa?
Na mesa vizinha, sento com amigos.
Peço um drink sem álcool, outro, um rabo de galo.
Me distraio com a cena.
Abro a câmera e disparo.
Congelo, quem sabe, alguma pista.
As pessoas se multiplicam.
As imagens refletidas no vidro, as vozes ecoando no ar.
Falta isolamento acústico, sobra ruído.
De repente alguém chega para fazê-la companhia.
De repente percebo que acompanhada também me sinto só.
Eventualmente vamos todos embora.
Na manhã seguinte trocamos os drinks por café.
O bar pela padaria.
Amigos e famílias se reúnem, conversam, sorriem.
Mas são os animais de estimação que furam as bolhas.
Vão de mesa em mesa interagir com outros animais. Humanos ou não.
Será que eles têm as respostas?
E se não forem palavras?
No balcão do caixa, um menino cercado por adultos, desenha sozinho.
A comida, a bebida, a tela… nada o distrai.
Abro a câmera e disparo.
Congelo, talvez, a resposta.
Uma figura humana com a cabeça feito coração.
Fico sem palavras.
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