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a month ago
Co Creator: philipyang_saopaulo
Os votos dos decididos estão cristalizados pela polarização. Parece que não haverá escândalos de corrupção, controvérsias em torno de bets e Nossa Senhora ou milagres em política fiscal e de segurança pública que possam mudar a opinião de quem tem a sua opinião formada. 

Escrevi este texto para a piauí pensando especialmente em quem ainda segue indeciso e busca uma razão diferente para finalmente cravar seu voto agora ou no segundo turno. 

Produzi no meu aniversário. Em vez de presente, peço alguns minutos de leitura - e, se possível, olhos e espírito abertos para um argumento que procura olhar a eleição também do Brasil para fora.

O ponto de partida é simples: política externa não é assunto apenas de diplomatas. Está no preço do que compramos, nos mercados para onde exportamos, no capital que recebemos, nas tecnologias que adotamos e, no limite, na liberdade que teremos para fazer nossas próprias escolhas.

Estamos num mundo em que pululam líderes carismáticos, autocráticos e, pior de tudo, belicosos. Enquanto escrevia, pensei muito em março de 1936. Hitler remilitarizou a Renânia, violando os acordos que sustentavam a ordem europeia. França e Reino Unido protestaram, mas não reagiram militarmente. Depois vieram a anexação da Áustria, os Sudetos, a ocupação do restante da Tchecoslováquia - tudo isso sem reação do resto da Europa - e, finalmente, a invasão da Polônia que declancha o horror que conhecemos todos. 

Em 1936, a guerra não era inevitável. O que hoje parece claro retrospectivamente não era necessariamente percebido assim por quem vivia aqueles acontecimentos. Cada ruptura podia parecer apenas mais uma crise administrável.

Não estou equiparando épocas nem países. A pergunta que me interessa é outra: como distinguir, enquanto ainda estamos dentro da história, um episódio isolado de um processo maior? A intervenção americana na Venezuela me fez pensar nisso.

Talvez o desafio do nosso tempo seja também saber do que devemos - e do que não devemos - ter medo. E perceber que, às vezes, para entender melhor o que está em jogo aqui dentro, é preciso olhar para fora.

Link na bio. 

#eleições #políticaexterna #geopolitica #cebri
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Posted On: October 4th 2026, 02:52 pm
Os votos dos decididos estão cristalizados pela polarização. Parece que não haverá escândalos de corrupção, controvérsias em torno de bets e Nossa Senhora ou milagres em política fiscal e de segurança pública que possam mudar a opinião de quem tem a sua opinião formada.

Escrevi este texto para a piauí pensando especialmente em quem ainda segue indeciso e busca uma razão diferente para finalmente cravar seu voto agora ou no segundo turno.

Produzi no meu aniversário. Em vez de presente, peço alguns minutos de leitura - e, se possível, olhos e espírito abertos para um argumento que procura olhar a eleição também do Brasil para fora.

O ponto de partida é simples: política externa não é assunto apenas de diplomatas. Está no preço do que compramos, nos mercados para onde exportamos, no capital que recebemos, nas tecnologias que adotamos e, no limite, na liberdade que teremos para fazer nossas próprias escolhas.

Estamos num mundo em que pululam líderes carismáticos, autocráticos e, pior de tudo, belicosos. Enquanto escrevia, pensei muito em março de 1936. Hitler remilitarizou a Renânia, violando os acordos que sustentavam a ordem europeia. França e Reino Unido protestaram, mas não reagiram militarmente. Depois vieram a anexação da Áustria, os Sudetos, a ocupação do restante da Tchecoslováquia - tudo isso sem reação do resto da Europa - e, finalmente, a invasão da Polônia que declancha o horror que conhecemos todos.

Em 1936, a guerra não era inevitável. O que hoje parece claro retrospectivamente não era necessariamente percebido assim por quem vivia aqueles acontecimentos. Cada ruptura podia parecer apenas mais uma crise administrável.

Não estou equiparando épocas nem países. A pergunta que me interessa é outra: como distinguir, enquanto ainda estamos dentro da história, um episódio isolado de um processo maior? A intervenção americana na Venezuela me fez pensar nisso.

Talvez o desafio do nosso tempo seja também saber do que devemos - e do que não devemos - ter medo. E perceber que, às vezes, para entender melhor o que está em jogo aqui dentro, é preciso olhar para fora.

Link na bio.

#eleições #políticaexterna #geopolitica #cebri
Comments (3)
danibraga_ 23 days ago

danibraga_

👏👏👏

edmundosansoneneto a month ago

edmundosansoneneto

👏👏👏👏👏

sheilaferreira_terapeuta a month ago

sheilaferreira_terapeuta

Palavras lúcidas e nuas! 👏👏👏

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