Posted On: October 13th 2026, 12:25 am
jomard, ah, jomard...
r.i.p. jomard josé muniz de britto
nos deixou hj, aos 89, o mais tropicalista dos tropicalistas elegantes q já conheci e q era figura carimbadíssima entre paraíba-pernambuco.
ficamos amigos no início dos anos 1980 quando fui aluno de educação artística na UFPB. suas aulas eram um espetáculo, uma aula no melhor termo. e dizia q eu era um dos cavaleiros do pós-calipso ou um cavalheiro do apocalipse.
quando fui estudar na frança nos propomos trocar mensagens pelos correios. eu lhe enviaria lembranças de cada lugar. recortei um retrato dele em pedaços e o enviei pedaço por pedaço. a ideia era q ele, aos poucos, como num puzzle, montasse e descobrisse a imagem, mas ele não aguentou a espera para montar a imagem completa e me enviou uma foto dele inteiramente nu, mas toda recortada, com a seguinte frase: "o brasil não é o meu país: é o meu abismo. também não é o seu?"
ah, jomard. saudades de vc.
jomard por ele mesmo:
“integrou-se à equipe de Paulo Freire, atuando no Sistema de Educação de Adultos, anos 1960. aos 27 anos, foi aposentado da UFPE, pela primeira vez. nas movimentações tropicalistas e afins, apreendeu a ser solidário e a só ser, a desintelectualizar-se e não temer o ridículo dos rótulos, etiquetas e banais ou profundos ressentimentos. nas décadas de 70 e 80 realizou filmes em Super 8, em vídeo e auto-editou-se. é autor do projeto intermídia Tempos e espaços dos abismos, em cinco versões/exposições coletivas. cidadão pessoense. cidadania itinerante. em busca da felicidadania e outras subjetivações contemporâneas e novos desejos de alteridade. recente trabalho didático-provocativo: clínica da poeticidade, oficina de leitura, recriação e interpretação de textos. continua acreditando em deus e o diabo na terra do sol em transe, em Chico Doido de Caicó, em araçá azul e na energia política do erotismo, na revolução cultural permanente (apesar de tudo, de você, de nós...), no frevo n’roll e maracatu atômico, na dúvida permanente, em religião da amizade e na mais radical e fecunda solidão. mora na filosofia da rua João Fernandes Vieira 367/ 406, bloco A, Boa Vista, Recife-PE, Cep 50050-200. até qualquer dia. abraços de coração.”