"Memória é identidade", sob a curadoria de Nai Gomes, inaugura na próxima terça, 20 de outubro. Aberta de terça a sábado, das 13h às 18h, a entrada é gratuita e livre, até 14 de novembro.
Por
@nai_gomes65 “A convocatória propôs um exercício contundente de reflexão sobre a história, a ancestralidade, as rasuras históricas e as reescritas estéticas na Paraíba. Ao analisar o corpo total das propostas submetidas, observa-se uma resposta madura, plural e visceral por parte dos artistas. O conjunto não trata a memória como um relicário nostálgico ou um dado estático do passado, mas como uma matéria viva, mutável e em permanente disputa no presente.
Destaca-se a forte presença de eixos como a afrodiáspora, a preservação dos saberes de terreiro, o direito ao arquivo cotidiano, as cartografias do território (da praia à periferia) e a urgência ecológica. A perspectiva analítica é rigorosa para a seleção final, e como curador fiquei atento não apenas às intenções conceituais dos textos, mas à exequibilidade, à potência tridimensional e ao impacto espacial dentro da galeria da Usina Energisa.
As propostas mais contundentes são aquelas que fundem conceito e materialidade em um só gesto. Marina Oliveira e Vitória Trajano oferecem soluções exemplares para o eixo da reparação histórica: enquanto Marina desfaz e rasga a fotografia de terreiro em tecido para reconstruí-la — simulando o próprio mistério do sagrado entre o revelar e o ocultar —, Vitória borda e escanografa as lacunas do arquivo fotográfico negro de João Pessoa, preenchendo ausências institucionais com afetos do cotidiano. Da mesma forma, Joanetow apresenta uma das viradas filosóficas mais brilhantes do edital ao ressignificar o conceito de non-choice (ausência de escolha) em uma política de soberania, auto-coroação e resiliência.
No campo das linguagens híbridas, Zé Santana traduz de forma brilhante a "grafação do gesto" ao conceber uma "pele sem corpo" têxtil e gasta que ganha vida com a dança popular. No campo da performance e da teoria, Aniely Santiago traz um rigor acadêmico essencial ao friccionar o tempo espiralar com cartas, relógios e autoficções, convidando o público à interatividade."
📷@peanisio