Gratidão a todos que, mesmo taciturnos, insistem em seguir neste mundo caduco. Se vivemos em tempos de corpos partidos, reconhecer-nos em quem também defende o bom, o justo, o melhor do mundo tem sido o maior e principal aprendizado.
Sim, Drummond, vamos de mãos dadas.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Se este tem sido tempo de corpos partidos, tem também sido tempo de reencontrar e estar junto daqueles e daquelas que nunca soltaram nossa mão. É em tempo de trincheiras que sabemos quem de fato importa e permanece.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
[Sentimento do mundo, 1939]
Bora! ⭐️🇧🇷💙
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