Posted On: October 31st 2026, 10:12 pm
“Macumbeira desgraçada.”
“Macumbeira nojenta.”
Foi assim que uma vizinha gritou comigo no dia do meu aniversário.
Também fui xingada por uma ex-cunhada. Fui alvo de acusações e ataques disseminados por uma ex de um ex.
É assim que são tratadas as bruxas (?) brasileiras!
Há menos de oito meses, sofri ofensas que nunca trouxe a público. Mas hoje, vendo tantas “bruxas” surgirem no embalo do novo álbum de Anitta, fui transportada de volta àquele aniversário e a um Carnaval em que vivi ataques absurdos por causa do meu culto.
E fiquei pensando: como é ser bruxa em paz? Como é ser bruxa sem precisar se justificar? Como é poder exibir sua espiritualidade sem ser perseguida? Como é cultuar suas divindades sem ser acusada de fazer amarração para prender homem? Como é não ter sua fé associada ao demônio?
Afinal, quem pode ser bruxa em público sem pagar o preço da intolerância religiosa?
Hoje, depois de tudo isso, com terapia, enfrentamentos e a necessidade de envolver advogados em algumas situações, sigo SEM MEDO!
Sigo fazendo magia com folhas, acompanhando mulheres em seus partos, preparando remédios, ensinando outras mulheres e vivendo minha espiritualidade debaixo dos olhos das minhas divindades, acompanhada dos meus encantados.
SEM MEDO!
Não preciso de uma estética de bruxa para legitimar minha existência. Não preciso de uma tendência para reconhecer a força da minha fé. Minha espiritualidade não nasceu de um álbum, de uma fantasia ou de uma temporada cultural.
Sou bruxa brasileira, parteira, fazedora de remédios, Awọ Ifá, Fọmọ de Oyá há 11 anos, terecôzeira e sigo com minhas velas muito bem acesas!
Que se acostumem com a nossa existência. 🕯️