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5 years ago
Photo by Jacques Jaquí on September 16, 2021.
Photo by Jacques Jaquí on September 16, 2021.
Photo by Jacques Jaquí on September 16, 2021.
Photo by Jacques Jaquí on September 16, 2021.
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Posted On: September 17th 2021, 01:11 am
Eu tive três mil primeiros-beijos.Todos especiais e importantes.Lembro da alegria e infância do nosso beijo Vanessa.Da violência química do beijo de Joel.Da intensidade sublime-toque do beijo de Lammi; Da tragédia e amizade ao beijar uma lua cheia em leão. Da surpresa, irmandade e perigo no beijo de Ariadne.Da sensualidade nuclear e adolescência radioativa do beijo de Joanderson.Do abraço interminável do beijo de Tiago - tão grande quanto a vista de São Lázaro.Do afeto e mistério do nosso beijo de Ádila.Do 11 de setembro da casualidade na pele do beijo de Alexis...Mas de todos os meus primeiros beijos,talvez o mais marcante tenha sido o de Luan; talvez pela doçura e perversidade,pela dor e pela vida que acessei alí e nunca soube se fui acessado, talvez; Lembro dos dias horríveis que antecederam e me levaram a aquele curso de fotografia,lembro de ter escolhido ele para ficar perto por achar ser mais seguro naquele momento um menino hétero.Lembro de cantar para ele numa esquete que satirizava a nossa vida,á época tão trágica,como toda vida sem liberdade - talvez a nossa maior encruzilhada,talvez o que enladeirou seu corpo na direção do meu. "Talvez" é uma palavra que atravessa muito essa história. Mas "certeza" com certeza define o que aconteceu. Eu cantava empolgado, alto, tão alto quanto aquele terraço (ou "Varandinha do Glauber" para os íntimos), estavamos acima dos outros,a salvo...todos riam a cada verso/piada minha, absolutamente todos,mesmo que fossemos só três,rs. De assalto, ele se apropriou da minha melodia, silenciou cada nota e fazendo daquele banco de cimento seu palco brodowayano, cantarolou: "E se eu quiser experimentar, talvez eu possa te beijar,antes dessa noite acabaaarrr..." Ou talvez tenha sido "Antes dessa música acabar..." E nos beijamos. Nos beijamos como dois "sem eira ,nem beira" embaixo da marquise das estrelas. Lembro de nossas roupas,de nossas cuecas molhadas, da luz amarela muito quente,do som dos fones de ouvido da nossa amiga enquanto o beijo daquele menino hétero revirava minhas certezas mais espiritualizadas...Foi quando vi o segurança

(Continua nos comentários)

@itaucinemas @panoramacoisadecinema @cine.ninja
Comments (13)
carolgarciafoto 5 years ago

carolgarciafoto

É muito triste😢mas esse seu texto!!!!!!

carolgarciafoto 5 years ago

carolgarciafoto

Que coisa linda é essa?😮

neopindoramica 5 years ago

neopindoramica

Meu coração está dilacerado... Mas que texto indefectível. Obrigada por isso, amigo ❤️

sou.leandroandrade 5 years ago

sou.leandroandrade

Que lindo e que triste 😢😍

patricdelic 5 years ago

patricdelic

Afffff 😭😭😭

alexassiis 5 years ago

alexassiis

Lembro muito bem desse dia, desse momento, da aventura que foi esse dia. Vivi também momentos muito bons nesse cienma. Acredito que não se encerrara assim, mas e tenho certeza que nos veremos novamente alí em cima.

barbiequebranozes 5 years ago

barbiequebranozes

Estou triste 😢

barbiequebranozes 5 years ago

barbiequebranozes

😢😢😢😢

buarrocha 5 years ago

buarrocha

Triste…

vemjaqui 5 years ago

vemjaqui

Não sei se foi a força afeccional do beijo, talvez o choque ao ver aquele homem enorme,imenso,com aquele rádio ameaçador na mão vindo na direção da gente, mas paralisei. Eramos só nós, ele,uma parede a esquerda,uma queda de três andares a direita e uma amapô de 45kg no meio. Reto. Ele passou reto. Não nos olhou e nem nos expulsou. Não nos desejou e nem nos violentou. Reto. Apenas passou. Reto. Como se nosso beijo fosse apenas o que de fato o era: uma beijo. Sem sobrenome. Apenas beijo. Nos anos que se seguiram evitei aquele lugar,por tudo que aquele beijo arrastava consigo. Mas reconstruí minha relação com os homens, com o linguagem cinematográfica e com minha cidade, ao passo que reconstruía minha relação com aquele espaço e com o sagrado, dentro de suas salas de exibição e em todos os quatrocentos mil primeiros-beijos que alí pude ver e viver naquele lugar. Quantos lugares de Salvador é possível que uma pessoa negra, e jovem, e gay possa entrar e sair,beijar e ser beijado, conhecer e ser conhecido (Sdds Júri Jovem, Panorama 2016, Sdds PANLAB 2020) sem ter medo? Um filme não é só um filme.Um cinema não é só um cinema. Parece um atentado, um crime de ódio, de pura intolerância religiosa fechar um cinema - O CINEMA -, um templo onde tantas vezes reencontrei a vida.

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