Posted On: November 6th 2025, 10:18 pm
• dedico com carinho e respeito
ao que já possivelmente morreu em mim,
a quem já fui e nunca mais serei,
a todas as partes vividas que não vivi o suficiente.
Vivo o constante luto de quem já fui
e o imensurável medo de quem serei,
se é que existe o alguém
que ainda será.
Habita em nós um grande contraste,
de sermos quem somos,
quem éramos e quem seremos.
Questiono-me se há tal morte do que fui,
se sigo sendo a mesma,
se sou um ser novo
ou um ser que se acumula das vivencias.
Visto que habitamos em vários “eus”,
todos nós em um,
passado, presente e futuro,
isso definiria o que somos?
Da mesma forma,
o que define o presente do Eu,
se não o histórico de quem já fui?
As imensuráveis e incontáveis esquinas
que poderíamos ter escolhido virar
ao invés da esquina que viramos,
as inúmeras linhas do tempo
que poderiam ter sido escolhidas e criadas,
serão sempre questionadas.
E se?