REZA DE BENZIMENTO PARA MAL DESCONHECIDO. Aquele mal que não sabemos de onde vem e nem porque chegou.
O sincretismo é uma estratégia de sobrevivência espiritual dos povos negros e indígenas diante da imposição do catolicismo durante a colonização.
Como eram proibidas de praticar suas crenças, as pessoas passaram a ocultar seus rituais dentro da estrutura católica, por exemplo:
Orosun se escondia sob a figura de Nossa Senhora;
Ogun era identificado com São Jorge;
Oxum com Nossa Senhora da Conceição;
Encantados caboclos apareciam associados a santos protetores;
As ervas e encantamentos seguiam existindo, embora camuflados em “benzeduras católicas”.
Assim, cruzes, terços, água benta e imagens de santos conviviam com folhas, sopros, pontos cantados, garrafadas, ventos e rezas com palavras africanas e indígenas.
Entre povos indígenas, africanos e de matriz afroatlântica, a palavra é veículo de energia!
A reza, o canto ou o sussurro cria movimento, vibração, atravessa o corpo de quem recebe e o campo espiritual ao redor.
A cura acontece no sopro, no ritmo da fala, nas invocações.
O benzimento com as mãos (na testa, no peito, nas costas), os sinais de cruz ao passar da erva, tudo isso faz parte de uma tecnologia antiga de cuidado.
São gestos milenares que conduzem a energia de volta ao alinhamento — aquilo que muitos povos chamam de “trazer o corpo para dentro de si”.
Essa é uma reza rezada por minhas mais velhas, na voz de minha tia e mestra que me ensina a rezar crianças e mulheres.
Se você deseja aprender rezas, benzimentos e encantamentos de folhas, te convido a mergulhar comigo dos dias 20 a 22 de Dezembro, no Curso de Ervaria - Tradições Quilombolas e Indígenas para a Saúde e Espiritualidade, que está com vagas abertas e vai acontecer comigo e com minhas mais velhas.
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