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Posted On: February 28th 2026, 04:11 pm
D – Por que não me lembro sempre que sou o Eu?
M – As pessoas falam da lembrança e do esquecimento da plenitude do Eu. Memória e esquecimento são formas-pensamentos. Mas a realidade acha-se acima de ambos.
Lembrança e esquecimento devem depender de alguma coisa. Esta alguma coisa deve também ser estranha ao Eu real de outro modo não haveria esquecimento. Aquilo do qual dependem a memória e o esquecimento é a idéia de que se é um Eu individual. Quando procuramos por ele, este Eu individual ou ego não é encontrado porque não é real. Por isso este “Eu individual” é sinônimo de ilusão, ou ignorância (maya, avidya, ou ajnana).
Saber que jamais existiu ignorância é a meta de todo conhecimento espiritual. A ignorância desaparece para aquele que é consciente. Consciência é jnana, eterna e natural, ajnana é antinatural e irreal.
D – Ao ouvir esta verdade, por que a pessoa não permanece contente?
M – Porque as samskaras (tendências mentais inatas) não foram destruídas. Até que as samskaras cessem de existir haverá sempre dúvida e confusão. Todos os esforços são dirigidos para destruir a dúvida e a confusão. A fim de obter isso, suas raízes devem ser cortadas. Suas raízes são as samskaras. Estas se tornam sem efeito pela prática prescrita pelo guru. O guru as deixa ao encargo do buscador até que ele perceba que não existe ignorância. Ouvir a verdade (sravana) é o primeiro estágio. Se o entendimento não é firme a pessoa deve praticar a reflexão e a contemplação ininterrupta.
Estes dois processos queimam as raízes dos samskaras de modo a que se tornem ineficazes. Algumas pessoas extraordinárias adquirem a firme consciência eterna e natural após ouvir a verdade uma só vez. Estes são os discípulos avançados. Os principiantes levam tempo para adquiri-la.

Sri Ramana Maharshi

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