Posted On: March 20th 2026, 02:31 pm
não entendia mas tinha um “quê” de professora. a de História e a finada Sociologia eram as matérias que mais gostava. as professoras falavam de um jeito diferente, pareciam indignadas com o que tava no livro versus a nossa falta de merenda disfarçada com bolacha de água e sal e suco de pacotinho. sabiam que a gente precisava daquilo: do senso crítico e da merenda.
a única escola de ensino médio da cidade deu conta de abarcar o sonho de crescer, sair dali e tornar-se algo diferente de vendedora da maripel ou caixa de mercado do perin. sempre quis mais.
sonhou tanto que embicou no meio de uma crise pandêmica mundial. botou as cara e sustentou. 1.200 do estágio da prefeitura por mês, um sonho e um processo de pensão na justiça. tinha mais isso, lutar pelo direito básico.
atravessei: acessei bolsa permanência, política pública, auxílio alimentação, acúmulo de bolsa e todas as formas de hackear o sistema possíveis dentro de uma realidade que insistia em moer os ossos quando não encantada.
ritualizei, encantei, rezei dia e noite e acendi vela. reverberou. a sua fia formou pra História, vó nani. a bóia já não é mais fria, a comida tem variedade, o transporte já mais facilitado e a cabeça crescendo como sempre no corre.
se tudo desse errado eu ficava no máximo com um diploma guardado na gaveta e voltava pra casa porque não era o que tinha imaginado. como faço dar certo, hoje sou Historiadora pela Universidade Estadual de Maringá entrando na segunda graduação e na instiga pelo futuro que invento. que meu Orí me torne grande e sábia.
à minha família: por vocês vou sempre “correr a maratona, chegar primeiro e gritar “é por você, amor!”
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