Posted On: March 31st 2026, 01:30 pm
Eu tinha 13 anos quando pisei no palco pela primeira vez. Ainda não sabia nomear o que sentia, mas algo ali me atravessou por inteira. A luz, o silêncio antes da cena, o encontro com o olhar do outro… foi como reconhecer um lugar que, de alguma forma, já era meu. Desde então, nunca mais saí.
Mas permanecer também é estudar. É mergulhar nas técnicas, no corpo, na voz, na respiração. É compreender que a intuição é semente, mas o ofício se constrói no tempo, na disciplina e na escuta. Entre exercícios, processos e pesquisas, fui aprendendo a lapidar aquilo que me atravessa — transformando impulso em presença, emoção em linguagem, experiência em cena.
Ser atriz é onde eu me encontro e me espalho. É onde posso ser muitas e, ainda assim, profundamente eu.
Ao longo do tempo, compreendi que estar em cena também é um ato de resistência. É afirmar histórias, dar voz ao que precisa ser dito, criar frestas por onde a vida possa respirar.
Sou esse encontro: entre o que eu sou e o que me atravessa. Entre o que invento e o que me reinventa. Porque ser atriz para mim é isso — é se multiplicar sem se perder, é se entregar sem deixar de se reconhecer.
Cada personagem é uma fresta. Um pedaço de vida que me escolhe também. Porque não sou só eu que construo personas — elas me constroem de volta, me alargam, me ensinam outras formas de existir.
Créditos das fotos: 1 a 7
@camilarhodes.art