Posted On: May 8th 2026, 01:12 pm
Sou feito de travessias.
Carrego no corpo mapas que não cabem no papel.
Cada tatuagem, cada dança, cada silêncio guarda um território ancestral em movimento.
Entre tambores, ruas, quintais, salas de aula e encruzilhadas, aprendi que existir também pode ser uma forma de rito.
Há um corpo que samba para não esquecer.
Há um corpo que conta histórias para abrir caminhos.
Há um corpo que transforma ferida em linguagem e memória em futuro.
Minhas pesquisas nascem do encontro entre terreiro e cena, infância e ancestralidade, pedagogia e encantamento.
Do desejo de cardiografar ensinamentos.
De ouvir as histórias que sobreviveram mesmo quando o mundo tentou apagá-las.
Sou continuação de muitas mãos.
De quem veio antes.
De quem dança comigo mesmo sem estar presente.
E sigo.
Fazendo da arte um lugar onde o tempo gira em espiral,
onde o ori encontra abrigo,
e onde o corpo pode, finalmente, voltar a ser casa.