Posted On: June 25th 2026, 02:21 pm
Comecei em Janeiro a experimentar com a aquarela, sem qualquer regra, apenas descobrindo.
Descobri que a aquarela tem uma proximidade com a cerâmica a partir do seu paradoxo: a paciência e imprevisibilidade. Uma matéria tão aberta quanto a argila se encontra numa fluidez absurda da aquarela, e ambos se tornam infecciosos.
A paciência de observar os pigmentos se infiltrando pelo papel foi muito similar ao momento da argila biscoitada absorver os vidrados. Ou o momento da secagem dos pigmentos mudando ligeiramente de cor no papel, com a mudança brusca dos vidrados após a queima.
A não finalidade. A possibilidade infinita de reconstruir e aguar. Terra e água não são inimigos.
Nesse trabalho eu penso o germinar como essa possibilidade de bagunçar e o caos como combustível de tudo. Retorno sempre ao meu caderno e encontro as respostas que Raíssa do passado ainda não sabia, em um eterno espiral. O processo nunca é final, há sempre o desejo de queimar e a possibilidade de confluir.
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“Germinante desejo” 2026
Aquarela e grafite sob papel
Disponível