Posted On: July 1st 2026, 04:06 pm
Passada toda a provação de um cancro ativo no organismo e de toda a vasta e longa logística para o irradicar muitos temos a alegria de dizer que “vencemos o cancro” somos sobreviventes. o mundo é agora outro para nós. ao sobreviver a um cancro tenho pouca paciência para o conceito “logo se vê” a inércia de ação. o shift foi feito e quero ver e usufruir do sol. adiar é para quem tem todo o tempo do mundo. o meu esteve em standby um ano que agora se é para fazer é para fazer. para depois cansada ao fim do dia usufruir do sol. os nossos dias começam com a neuropatia da medicação obrigatória que a custo vamos ativando o corpo e melhorando as dores ao longo do dia. na nossa tentativa de regressar ao “antigamente” atingimos um limite físico que nos deixa de gatas até ao dia seguinte. não é preciso muito e é nesta aprendizagem que avançamos como o caracol e por vezes andamos para trás como o caranguejo. todo um zoo. não temos referências de comparação e a mente ainda não percebeu as limitações novas de um corpo mutilado com dores articulares. e por isso por vezes todos os dias são dias uns. o recomeçar que teimamos em não aprender neste fog de pensamentos e esquecimentos de um corpo mulheropausado pós cancer. no meu caso como foi tudo em simultâneo que tenho uma enorme dificuldade em perceber que sintoma cabe na gaveta da mulheropausa ou na gaveta do cancro. porque chamar a essa nossa condição feminina biológica nada tem de “men” deve ter sido batizado por um deles só pode.
digo várias vezes que não me queixo da cara saudável que apresento mas o corpo em recuperação por vezes emite uns sinais assustadores que me obrigam a abrandar. o que será isto? que nunca senti? vou esperar? vou ao médico? é “normal”? ouvir. o corpo. tenho o privilégio de poder abrandar e ou parar. a maioria não.
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