Posted On: July 22nd 2026, 09:31 pm
Existem corpos que a história tentou apagar.
Corpos arrancados de seus territórios. Corpos que tiveram seus nomes trocados, suas famílias fragmentadas e suas memórias silenciadas.
Mas o que a história oficial muitas vezes não registrou, a ancestralidade continua guardando.
No culto de Babá Egum aprendemos que ninguém caminha sozinho. Somos continuidade daqueles que vieram antes de nós. Honrar os ancestrais é também recusar o esquecimento.
Cada documento encontrado, cada pedaço de terra reconhecido, cada nome recuperado e cada memória partilhada são gestos de reparação.
Talvez seja esse um dos sentidos mais profundos: afirmar que existem vidas que nunca deixaram de existir, mesmo quando lhes negaram o direito de serem lembradas.
Hoje compreendo que minha busca não é apenas genealógica. É política. É espiritual. É ancestral.
Voltar às terras da minha família, pronunciar os nomes dos meus avós e bisavós, reconhecer os caminhos que eles abriram é afirmar que seus corpos nunca foram autorizados a ocupar plenamente a história, mas permanecem vivos em mim.
Porque quem conhece suas raízes não caminha apenas com os próprios pés.
Caminha acompanhado de muitas gerações.
Mojubá aos que vieram antes.
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