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3 months ago
Co Creator: fabinero
Por que a instituição escola tem tanto medo da mudança?

Quando utilizo a palavra escola, não estou falando do prédio. Refiro-me às pessoas que compartilham esse espaço de aprendizagem: estudantes, educadores, gestores, funcionários e famílias. Refiro-me à cultura que construímos ao longo de décadas e que, muitas vezes, reproduzimos sem perceber.

Entretanto, antes mesmo de encontrarmos essas pessoas, a própria arquitetura já começa a nos ensinar.

Ao atravessar o portão de uma escola, somos recebidos por muros, grades, corredores, cadeados, filas e campainhas que anunciam quando devemos entrar, sair, falar, comer ou permanecer em silêncio.

A arquitetura não é neutra. Ela comunica uma concepção de educação.

Até mesmo o recreio, que deveria representar um tempo de convivência, costuma acontecer sob a lógica da pressa. O tempo para a alimentação quase sempre é insuficiente. Conversa-se rapidamente. Corre-se contra o relógio. O sinal toca novamente.

É como se o tempo também precisasse ser domesticado.

Não escrevo isso para afirmar que todas as escolas sejam iguais ou para desconsiderar o extraordinário trabalho realizado diariamente por milhares de educadores. Ao contrário. Conheço professores profundamente comprometidos, amorosos, competentes e intelectualmente preparados.

Talvez seja justamente essa a maior contradição da educação contemporânea: temos pessoas extraordinárias trabalhando dentro de uma estrutura que já não responde às necessidades humanas do nosso tempo.

Os indicadores de aprendizagem preocupam. Educadores adoecem. Estudantes demonstram desinteresse. Gestores vivem pressionados. As famílias também carregam suas inquietações.

Todos, de alguma maneira, reconhecem que algo precisa mudar. Mas, quando a mudança aparece, ela costuma provocar medo.

Por quê?

Talvez porque, historicamente, a escola tenha sido organizada muito mais para garantir o controle do que para favorecer a convivência.

Controlamos o tempo. O espaço. Os movimentos. A palavra. O currículo. As relações.

E, depois de tantos anos vivendo essa lógica, passamos a acreditar que controlar é sinônimo de educar.

(Continua no comentário fixado)
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Posted On: August 17th 2026, 06:32 pm
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Por que a instituição escola tem tanto medo da mudança?

Quando utilizo a palavra escola, não estou falando do prédio. Refiro-me às pessoas que compartilham esse espaço de aprendizagem: estudantes, educadores, gestores, funcionários e famílias. Refiro-me à cultura que construímos ao longo de décadas e que, muitas vezes, reproduzimos sem perceber.

Entretanto, antes mesmo de encontrarmos essas pessoas, a própria arquitetura já começa a nos ensinar.

Ao atravessar o portão de uma escola, somos recebidos por muros, grades, corredores, cadeados, filas e campainhas que anunciam quando devemos entrar, sair, falar, comer ou permanecer em silêncio.

A arquitetura não é neutra. Ela comunica uma concepção de educação.

Até mesmo o recreio, que deveria representar um tempo de convivência, costuma acontecer sob a lógica da pressa. O tempo para a alimentação quase sempre é insuficiente. Conversa-se rapidamente. Corre-se contra o relógio. O sinal toca novamente.

É como se o tempo também precisasse ser domesticado.

Não escrevo isso para afirmar que todas as escolas sejam iguais ou para desconsiderar o extraordinário trabalho realizado diariamente por milhares de educadores. Ao contrário. Conheço professores profundamente comprometidos, amorosos, competentes e intelectualmente preparados.

Talvez seja justamente essa a maior contradição da educação contemporânea: temos pessoas extraordinárias trabalhando dentro de uma estrutura que já não responde às necessidades humanas do nosso tempo.

Os indicadores de aprendizagem preocupam. Educadores adoecem. Estudantes demonstram desinteresse. Gestores vivem pressionados. As famílias também carregam suas inquietações.

Todos, de alguma maneira, reconhecem que algo precisa mudar. Mas, quando a mudança aparece, ela costuma provocar medo.

Por quê?

Talvez porque, historicamente, a escola tenha sido organizada muito mais para garantir o controle do que para favorecer a convivência.

Controlamos o tempo. O espaço. Os movimentos. A palavra. O currículo. As relações.

E, depois de tantos anos vivendo essa lógica, passamos a acreditar que controlar é sinônimo de educar.

(Continua no comentário fixado)
Comments (14)
alma.sidipedreira 3 months ago

alma.sidipedreira

😍❤️❤️

andreapaiva.gestao 3 months ago

andreapaiva.gestao

Acredito que transformar a escola em espaços de aprendizagem significativo, seja talvez mexer com estrutura arquitetônica e estrutura cultural da escola.

emebalfredobergamocaic 3 months ago

emebalfredobergamocaic

👏👏👏👏👏👏👏👏👏😍😍😍

raquelcerqueira.pt 3 months ago

raquelcerqueira.pt

❤️❤️

bianca_solomeu 3 months ago

bianca_solomeu

Maravilhosa ❤️❤️❤️

pluriprosaoficial 3 months ago

pluriprosaoficial

Assim, quando se propõem autonomia, participação, escolhas ou corresponsabilidade, surge o estranhamento. Como confiar nos estudantes? Como compartilhar decisões? Como abandonar práticas que sempre existiram? Não estranhamos a autonomia porque ela seja ruim. Estranhamos porque ela nos é pouco familiar. Fomos educados dentro de uma cultura heterônoma e, por isso, muitas vezes tentamos construir autonomia utilizando instrumentos de controle. Essa talvez seja uma das maiores dificuldades da transformação educacional. Não basta mudar metodologias. É preciso mudar a maneira como compreendemos as relações humanas. A arte ainda ocupa espaços periféricos. O teatro aparece em datas comemorativas. A música limita-se, muitas vezes, às apresentações. O esporte torna-se competição. Os projetos comunitários são vistos como atividades complementares. Tudo isso permanece ao redor da aprendizagem, quando poderia constituir o seu próprio centro. Talvez seja por isso que uma afirmação de José Pacheco continue provocando tantos incômodos: “Não há como fazer educação integral dentro da sala de aula.” A frase não diminui a importância da sala de aula. Convida-nos a reconhecer seus limites. A formação integral não acontece apenas diante de um quadro, de uma carteira ou de um currículo fragmentado. Ela acontece nas relações humanas, na convivência, na arte, na ciência, na investigação, na responsabilidade compartilhada e na participação da comunidade. Oferecer mais tempo da mesma organização não produz educação integral. Produz apenas mais tempo do mesmo modelo. Sempre que leio Rubem Alves, sou lembrada de que a educação nasce também do encantamento, da beleza e da sensibilidade. Quando leio Paulo Freire, reencontro sua dimensão ética e compreendo que ensinar nunca é um ato neutro, mas um compromisso político, cultural e profundamente humano. Esses autores deslocam meu olhar para aquilo que considero essencial: antes de ser educadora, preciso continuar educando a mim mesma. Preciso construir-me como uma pessoa capaz de pensar criticamente, dialogar, escutar, revisar certezas e aprender continuamente.

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