
3 months agoAcredito que transformar a escola em espaços de aprendizagem significativo, seja talvez mexer com estrutura arquitetônica e estrutura cultural da escola.
3 months agoAssim, quando se propõem autonomia, participação, escolhas ou corresponsabilidade, surge o estranhamento. Como confiar nos estudantes? Como compartilhar decisões? Como abandonar práticas que sempre existiram? Não estranhamos a autonomia porque ela seja ruim. Estranhamos porque ela nos é pouco familiar. Fomos educados dentro de uma cultura heterônoma e, por isso, muitas vezes tentamos construir autonomia utilizando instrumentos de controle. Essa talvez seja uma das maiores dificuldades da transformação educacional. Não basta mudar metodologias. É preciso mudar a maneira como compreendemos as relações humanas. A arte ainda ocupa espaços periféricos. O teatro aparece em datas comemorativas. A música limita-se, muitas vezes, às apresentações. O esporte torna-se competição. Os projetos comunitários são vistos como atividades complementares. Tudo isso permanece ao redor da aprendizagem, quando poderia constituir o seu próprio centro. Talvez seja por isso que uma afirmação de José Pacheco continue provocando tantos incômodos: “Não há como fazer educação integral dentro da sala de aula.” A frase não diminui a importância da sala de aula. Convida-nos a reconhecer seus limites. A formação integral não acontece apenas diante de um quadro, de uma carteira ou de um currículo fragmentado. Ela acontece nas relações humanas, na convivência, na arte, na ciência, na investigação, na responsabilidade compartilhada e na participação da comunidade. Oferecer mais tempo da mesma organização não produz educação integral. Produz apenas mais tempo do mesmo modelo. Sempre que leio Rubem Alves, sou lembrada de que a educação nasce também do encantamento, da beleza e da sensibilidade. Quando leio Paulo Freire, reencontro sua dimensão ética e compreendo que ensinar nunca é um ato neutro, mas um compromisso político, cultural e profundamente humano. Esses autores deslocam meu olhar para aquilo que considero essencial: antes de ser educadora, preciso continuar educando a mim mesma. Preciso construir-me como uma pessoa capaz de pensar criticamente, dialogar, escutar, revisar certezas e aprender continuamente.
