Posted On: September 19th 2026, 11:55 am
Ao longo de “Virginia Woolf entre gêneros”, enquadro cenas em que, como na entrada de diário datada de 15 de maio de 1940, Virginia Woolf fez da escrita uma forma de pensar para além do campo de violência: “Esta ideia me tomou de assalto: o exército é o corpo: eu sou o cérebro. O pensamento é minha luta”(Diary 5, p. 285, tradução própria).
Desde cedo, Woolf fará a ficção funcionar como uma instância que resiste à militarização do pensamento, seja ao enlutar seu mundo, seja ao rir de seu funcionamento. Se o exército é o corpo — vale anotar que, nessa entrada de diário, Woolf registra uma briga com Leonard em torno do desejo de seu marido de tomar armas, como se passasse a participar desse corpo-exército e de suas políticas de morte durante a Segunda Guerra Mundial —, é o movimento do pensamento que pode insistir na vida, no corpo que vive em relação, mesmo que seja sítio de disputas entre formas autorizadas e dissidentes dele mesmo. Trata-se de um corpo que é também literatura.
▫️ Virginia Woolf entre gêneros [ensaios woolfianos]
de Davi Pinho
projeto gráfico de Bloco Gráfico (@blocografico)
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