Posted On: October 23rd 2026, 03:21 pm
“Nem toda conquista encerra a falta que nos fez desejá-la...”
Há uma distância entre aquilo que idealizamos e a experiência concreta de sua realização. Não necessariamente porque o que alcançamos perdeu seu valor, mas porque a satisfação de uma conquista nem sempre corresponde integralmente às expectativas e fantasias que depositamos nela.
Na perspectiva psicanalítica, o desejo não se esgota na obtenção de um objeto, assim como a falta não se preenche necessariamente com a satisfação daquilo que desejamos. Ele se articula à nossa história, às marcas inconscientes e à própria condição de “sujeito desejante”. O objeto desejado, seja uma conquista, uma relação ou um ideal, assume diferentes formas ao longo da vida, mas não se confunde com aquilo que nos move em sua direção.
Nesse encontro com a realidade, podemos reconhecer que é possível desejar intensamente alguma coisa e, ainda assim, experimentar sentimentos contraditórios ao conquistá-la.
Isso não invalida o percurso, tampouco diminui a importância do que foi alcançado!
Na clínica, essa experiência nos convida a interrogar o que esperávamos encontrar ali, o que permanece como falta e o lugar que ela ocupa em nossa vida psíquica.
Gabriel Fazio
Psicólogo Clínico | CRP-02/33549
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