Posted On: October 6th 2026, 01:34 pm
Há mais de 100 anos, Freud publicava o texto "A transitoriedade" (1915/1916). Trata-se de um curto ensaio, escrito a pedido de uma publicação em homenagem ao poeta Goethe, em plena Primeira Guerra Mundial.
E o que mudou de lá pra cá? Quais guerras, além das internas e das coletivas, enfrentamos nos dias de hoje?
Vale pensar neste ensaio como sendo muito mais sobre luto, antecipando a obra Luto e Melancolia (1917), do que sobre a beleza.
A guerra destruiu "tanta beleza" (cultura, ciência, ideais de fraternidade), o que reforçou o pessimismo. Mas Freud sustenta que o luto, quando elaborado, chega a um término espontâneo: ao renunciar ao que se perdeu, a libido fica livre para investir em novos objetos, "tão preciosos quanto os anteriores".
Deixei a frase final do ensaio (no post em amarelo) como ar puro que nos faz respirar. Foi esse trecho que escolhi deixar para cada um de nós.
Que nossa libido possa ficar livre para reinvestir em novos objetos tão preciosos quanto os anteriores, de modo a reconstruir tudo o que a guerra nos tirou.
Estamos na luta. ❤️