Posted On: October 6th 2026, 01:47 pm
Eu não acordei um dia querendo ser o 01 da poesia baiana. Eu acordei querendo ser ouvido.
E desde então já são 13 anos de rap, de batalha, de slam, de roda, de palco, de rua, de militância, de microfone passando de mão em mão e de palavra sendo usada como ferramenta. Eu vim aprendendo na prática, errando, tomando porrada, perdendo batalha, ganhando outras, conhecendo gente, trocando ideia, ocupando espaços e criando os meus quando não existiam.
Eu não construí meu nome de um dia pro outro. Tem muito chão antes de existir qualquer reconhecimento. Tem madrugada escrevendo, evento que ninguém viu, cachê que não veio, viagem, transporte, projeto, oficina, batalha, sarau, manifestação, roda de conversa e poesia dita quando era mais fácil ficar calado.
E talvez seja por isso que eu ainda me esforço pra estar entre os grandes. Não porque eu precise provar que sou melhor que todo mundo, mas porque eu sei o quanto trabalhei pra chegar até aqui.
Eu quero olhar pra poesia baiana e saber que meu nome está entre aqueles que fizeram história. Quero que quando falarem de rap, slam e poesia de rua na Bahia, lembrem que eu estava lá. Não só assistindo. Construindo.
Se um dia eu for o 01, que seja porque a caminhada falou por mim.
Mas enquanto esse dia não chega, eu continuo fazendo o que sempre fiz:
escrevendo, rimando, lutando e plantando flores no lixo.
13 anos não são uma promessa.
São prova de permanência.