Posted On: October 9th 2026, 10:24 am
Uma pena. Uma grande pena.
Vaccarello deixa a Saint Laurent depois de dez anos. E eu fico triste.
Uma das poucas marcas do luxo com uma identidade forte, coerente, respeitando o legado de Yves Saint Laurent.
Vaccarello fez um trabalho extraordinário. Desfiles maravilhosos, coleções desejáveis, estética única, posicionamento claro, visível, palpável. Uma marca que soube criar e manter o desejo.
E não apenas na moda. Saint Laurent foi pioneira em ampliar sua presença cultural, produzindo cinema, abrindo livrarias, espaços com cafés e construindo um universo muito além das roupas.
Mas por que mudar tudo isso agora?
Não tenho a resposta. O que sei é que a Kering tem um novo CEO, Luca de Meo, vindo da indústria automobilística, que pretende aplicar ao luxo métodos desse setor.
Centralizar produção, otimizar logística, reduzir fornecedores, controlar estoques, compartilhar estruturas de marketing e, sobretudo, reduzir custos.
Podemos imaginar quantas economias seriam possíveis aplicando métodos que funcionaram em outras indústrias.
Mas será que esses modelos são tão aplicáveis ao luxo?
E será que a velocidade dessas transformações não corre o risco de destruir justamente aquilo que torna uma marca desejável?
Quando a urgência econômica comanda as decisões, não estamos esquecendo o mais importante: o que o consumidor compra, deseja e por que escolhe determinada marca?
Olho para Gucci, Balenciaga e Valentino e me pergunto quantas identidades ainda serão sacrificadas em nome da recuperação financeira.
Não foram suficientes todas essas marcas que perderam força e identidade pelo caminho?
O que está acontecendo com a Kering?
Podemos ter um CEO brilhante, vindo de uma indústria extraordinária, com métodos eficientes. Mas o luxo não vende apenas produtos. Vende identidade, criatividade, cultura, desejo e uma história que o consumidor quer continuar comprando.
Tudo isso leva anos para construir, mas pode desaparecer rapidamente.
A Saint Laurent de Vaccarello era uma marca que sabíamos reconhecer, admirar e desejar.
Será que, na pressa de salvar os números, não estamos matando justamente aquilo que faz as marcas valerem tanto?
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