Posted On: October 13th 2026, 03:20 pm
É verdade que o cuidado se constrói na dedicação, na convivência e no contato com o bebê, mas essa responsabilidade não chega igualmente distribuída.
Para as mulheres, costuma assumir a forma de um mandato exclusivo.
Combater esse mandato exclusivo não precisa deixar de lado o reconhecimento de que o corpo da mulher que vai gestar o bebe muda, muda diterente e, segundo os estudos mais recentes, parece que e preparado para o cuidado antes mesmo do bebê nascer.
Recorrer à “instinto materno” é bastante complicado ao falar sobre questões humanas. Os estudos não mostram que a mulher nasce sabendo cuidar ou que cuidará bem espontaneamente, mas mostram que, em quem gesta, transformações relacionadas à maternidade começam antes mesmo do nascimento e são mais extensas, profundas e permanentes do que as observadas em outros cuidadores.
Minha leitura é que, na mulher que gesta, parte dessa transformação começa (e ressalto aqui: começa!) de dentro para fora. Nos demais cuidadores, ela ocorre de fora para dentro, na relação com a gestante, no bebê ainda dentro da barriga, pela expectativa da chegada e pela experiência concreta de cuidar.
Mas biologia não é distribuição de tarefas. Uma adaptação mais ampla não significa conhecimento pronto, condições de, desejo inevitável ou obrigação exclusiva. A mulher que gesta atravessa uma transformação própria e compreender essa diferença pode nos ajudar a cuidar melhor de quem vive a matrescência.
Na Comunidade Contexto Perinatal, dou espaço para esses e outros estudos sobre o cérebro materno. Se o tema atravessa sua prática clínica, vem continuar essa conversa comigo.