Posted On: October 14th 2026, 09:38 am
A modernidade liberal é um espetáculo de criatividade quando o assunto é dar nome bonito para palhaçadas. A nova moda é o "trabalho por horas", a panaceia da flexibilidade que permite ao sujeito se sentir um grande empresário da própria vida enquanto fatura o equivalente a um troco de pão. Para a machosfera, foi um achado divino: a oportunidade perfeita de unir o útil ao desagradável e transformar a sonegação de alimentos num exercício de liberdade econômica.
A matemática dessa "autonomia" é de uma genialidade macabra. O genitor acorda na terça-feira, decide que a energia astral não está propícia para o trabalho, cumpre duas horas de jornada e declara à Justiça que o mês foi "de pouca demanda". O resultado? A pensão do filho cai para o valor de uma coxinha com guaraná. Afinal, por que trabalhar oito horas diárias se o excesso de zelo pode acabar alimentando a criança de forma digna? O mercado flutua, o pai descansa, e a mãe que se vire para fazer milagre com a tabela periódica na cozinha.
A criança insiste nessa mania burocrática de comer três vezes ao dia, mas o pai só quer ter compromisso comercial às quintas-feiras.
A ironia atinge o ápice no tribunal. O mesmo sujeito que ostenta o título de "trabalhador autônomo e flexível" nas redes sociais chega diante do juiz com cara de coitado, alegando que a uberização da vida o impediu de honrar o boleto da escola. É a pejotização da paternidade: o afeto vira prestação de serviço intermitente e o sustento vira taxa de conveniência. Se o Judiciário não entender que o estômago de um filho não aceita contrato de zero horas, a flexibilização do trabalho vai virar o maior programa de incentivo ao parasitismo que este país já viu.
Hoje já é o padrão os tais 300 reais de pensão. Imagine facilitando ainda mais a ocultação de renda. Só quem já precisou passar por uma ação de alimentos sabe o esforço que o parasita faz para não dar um centavo à criança: lutam como soldados em seus ápices.
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Ser mãe de filhos de parasitas caloteiros é um pesadelo eterno.
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Maternemos!