
20 days agoO Rio de Sangue A Lula, persona non grata em Israel Você cruzou a linha escarlate você que batizou o rio de sangue esse longo grito vermelho do povo palestino torrente de vidas destruídas, sementes de horror sob as engrenagens de uma política exterminadora Qual é a medida da dor como pesar a agonia de um povo que morre ao vivo diante de nossos olhos febris sob a lente fria das câmeras cúmplices? Como expressar o indizível? seja qual for o nome que se lhe dê massacre, limpeza étnica, genocídio o rio de sangue não mente todos os povos, em sua carne, são iguais Todas as palavras soam vazias pequenas demais para conter tanta sombra Mas não importa o nome que se lhe dê o genocídio é um grito de verdade que atravessa fronteiras e tempos Porque todos os povos sob a frágil pele das fronteiras carregam a mesma sede de vida o mesmo direito de existir o mesmo sangue que corre e clama por justiça Sua voz fragmentada no silêncio dos poderosos você lembra ao mundo essa evidência fundamental: nenhum povo é um alvo nenhuma criança deve crescer em meio ao barulho das bombas e ao cheiro das ruínas O rio de sangue não secará mas se tornará um espelho refletirá nossas consciências e em suas águas sombrias germinará a exigência tenaz de um mundo onde nenhum povo mais será sacrificado Inêz Oludé, artista plástica e poetisa
