FARACO. Contos completos. 3 ed. PoA:
@lepmeditores, 2018. 353 p.
Em 2008, a antologia "Contos completos", de Sérgio Faraco, chegou à terceira edição. A primeira foi em 1995; a segunda em 2004; e a terceira, portanto, a edição ainda em vigor. Nela, o leitor encontrará todas as narrativas breves de um dos nomes de destaque da literatura brasileira do século XX, cujo autor ainda vive entre nós.
Ao contrário de outras antologias de contos, que geralmente são organizadas por ordem cronológica (data de publicação), esta se apresenta sistematicamente por temática e dividida em 3 partes: na primeira, encontram-se os textos considerados fronteiriços, nos quais a vida rural recebe um olhar atento e as relações entre indivíduos se fazem e se desfazem em meio à transição entre o tempo passado e o presente.
Na segunda, estão reunidos 17 contos, dentre eles "Idolatria", um belíssimo texto que narra a relação de um pai com seu filho. Por mais árida e cheia de silêncio que seja a convivência de ambos, o desfecho aponta para um vínculo familiar que perdura apesar das adversidades (esse conto foi incluído na Antologia "Os cem melhores contos do século", organizada pelo crítico literário Ítalo Moriconi). Nessa segunda parte, as narrativas beiram algo mítico, cujo tempo remete às camadas da infância e seus dilemas mediante a vida.
Na terceira parte, o cenário é urbano. Homens e mulheres na tessitura da existência, equilibrando-se na corda bamba de seus dramas, de seus desejos, de suas amizades, de seus conflitos e de suas relações sociais e profissionais. Nessa parte, destacam-se os contos "Um destino para o fundador" (texto fenomenal que joga luz sobre a relação do homem com o trabalho e seu descarte quando já não é mais necessário dentro de uma lógica produtivista capitalista) e "O silêncio".
No todo, a antologia oferece ao leitor textos que ultrapassam o local e têm muito do universal. Os contos apresentam-nos, com camadas, densidade e concisão, uma galeria de personagens que mantêm diálogo com grande parte dos conflitos, sutilezas e nuances da humanidade de ontem e de hoje, sem tipificá-los, com extraordinária habilidade linguística.