Posted On: October 28th 2026, 05:41 pm
Marilice Corona, Subterrânea, 2014, acrílica e óleo sobre cartão telado, 20 × 30 cm.
Nesta série, Marilice Corona explora as relações entre pintura, observação e espaço expositivo. As cenas retratam visitantes diante de obras de arte, em situações que remetem a visitas a museus e galerias. Ao incorporar pinturas dentro de outras pinturas, a artista constrói um jogo de imagens e enquadramentos que amplia os níveis de representação e convida o público a percorrer visualmente a composição.
Segundo Margarida P. Prieto, o conjunto “é um desafio lúdico para o observador que se vê envolto num jogo de reconhecimentos”. O olhar identifica a capela que serve de espaço expositivo, reconhece pessoas entre o público presente na inauguração e percebe a repetição de pinturas em diferentes escalas e contextos arquitetônicos. Esse procedimento aproxima-se do conceito de mise en abyme, em que uma imagem se reproduz no interior de outra, criando o que Prieto define como “um abismo visual”.
Esse jogo de representação é acompanhado pelo rigor da execução pictórica. A superfície lisa, brilhante e sem texturas evidencia o cuidado técnico e remete à tradição da pintura europeia. Ao mesmo tempo, os enquadramentos aproximam as cenas da fotografia documental, registrando situações reconhecíveis do cotidiano artístico.
Marilice Corona (Porto Alegre, 1964) é artista, pesquisadora e professora do Instituto de Artes da UFRGS, onde se graduou em Pintura (1989) e Desenho (1990). É doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS, com estágio doutoral na Université Paris 1 – Panthéon-Sorbonne, França (2009).
Obras em acervos: Museu Nacional de Belas Artes (RJ); MARGS; MACRS; Centro Cultural de Cascais – Fundação D. Luís I (Portugal); Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Pelotas); Pinacoteca Municipal Aldo Locatelli e Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (UFRGS), em Porto Alegre.