Posted On: October 28th 2026, 05:49 pm
Saímos do eixo. Sempre saímos.
Algo que não estava no plano, nem na agenda, nem na espera, nos atravessa antes que haja palavra para isso. E o corpo, que costuma saber antes da gente, perde o prumo.
Voltar ao eixo não é voltar a um lugar exato. Heráclito já dizia que não se entra duas vezes no mesmo rio. Revisitar a origem é relê-la com o que o tempo nos ensinou. Freud chamou isso de après-coup: o passado só ganha sentido depois.
É preciso devolver movimento ao que enrijeceu, aquilo que Reich chamava de couraça. A essência não é um endereço fixo. Talvez seja mais um gesto que se refaz.
Temos recursos, mas muitas vezes nos esquecemos deles. Eles pedem visita, porque o que carregamos precisa respirar para servir ao que vem.
“Antes que eu esqueça”, título de meu novo livro, nasceu desse movimento. São tirinhas em que o desenho é uma das formas de elaborar a graça, a perda, o dia leve e o dia que pesou. Para que a gente não se prenda ao que passou, mas também não se perca de si.
Lançamento em 15 de novembro, em Araraquara, pela Flissol.