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| “Filosofia Do Mamilo” é escrito e desenhado por Kael Vitorelo.
Foi publicado pela @editoraveneta em 2024. Tem 112 páginas e é um projeto que foi realizado através do ProAC.
Cabe dizer, também, que esse gibi foi semifinalista do Prêmio Jabuti 2025.

Na trama, acompanhamos a luta de Kael Vitorelo contra os planos de saúde, a justiça e, claro, os preconceitos da sociedade, para conseguir realizar a cirurgia de retirada dos seios. Tudo relatado de uma forma muito íntima, corajosa e informativa.

Enquanto enfrentava toda essa situação delicada, que lhe exigiu muita perseverança e paciência, Kael Vitorelo decidiu narrar tudo misturando experiências próprias com experiências de outras pessoas trans.

Durante a leitura, você esbarra em muitos absurdos, desde as recusas dos planos de saúde em autorizar os procedimentos até a necessidade de entrar na justiça para um juiz definir se você é trans o suficiente para realizar a cirurgia. É loucura pensar que tudo isso fica nas mãos de pessoas, que na maioria das vezes, não são preparadas para lidar com quem não se enquadra nos “padrões” da sociedade.
É desesperador o despreparo e o desrespeito do sistema judicial brasileiro nessas situações.

Apesar da seriedade exigida pelo tema, tudo é mostrado de uma maneira poética e com muita sensibilidade. Os desenhos são uma mistura de lápis e colagem, tornando tudo ainda mais bonito. 
Quando falamos que tem coisas que só são possíveis nos quadrinhos, este gibi é um exemplo disso.

Uma leitura extremamente necessária!
Mais que uma autobiografia, “Filosofia Do Mamilo” é um forte desabafo e um documento de resistência em prol da visibilidade de pessoas trans e não binárias. by @_lendogibi
7
3 days ago
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• “Turma da Mônica: Lembranças” é a 17ª edição do selo Graphic MSP, sendo o encerramento de uma trilogia. Conta com roteiro e arte dos irmãos Cafaggi, Vitor e Lu.
Idealizado por @sidney_gusman , o selo tem como proposta trazer reimaginações dos personagens da @mspestudios e é seguro dizer que o selo é um sucesso absoluto e que essa trilogia já é um clássico do quadrinho nacional. 

Na trama, vamos acompanhar Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão em um momento de distanciamento por conta das obrigações e dos desentendimentos, mas principalmente pelo amadurecimento de cada personagem.
Até que surge um problema de verdade. É claro que eles vão se unir para resolvê-lo e, para surpresa da Turma, mas não nossa, eles vão notar que juntos são imbatíveis.

A história se passa numa fase delicada da infância. Aquela fase em que a criança começa a entender certas coisas da vida. Eles se sentem vulneráveis na mesma proporção que se sentem donos do mundo. A real é que eles estão crescendo.
E toda a trama parte dessa premissa. Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão estão enfrentando esses dilemas e cada um está lidando da sua forma, uns se saindo melhor e outros com mais dificuldades. Mas todos enfrentando seus problemas.

O fim de uma trilogia é sempre muito especial e cheio de expectativas, principalmente quando os seus antecessores trazem excelentes histórias, e aqui eu posso dizer que o final é perfeito!
Mais uma vez, os irmãos Cafaggi nos mostram que uma amizade verdadeira é mais forte do que qualquer coisa. Por muitas vezes você vai brigar, discordar e se desentender, mas também vai cuidar, apoiar e dar amor mais do que qualquer outra coisa.

Esse gibi é uma carta de amor à Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão. É impossível não se emocionar com esse encerramento. by @_lendogibi
2
5 days ago
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• “Eu Sou O Seu Silêncio.” conta com roteiro e arte de Jordi Lafebre.
Ele, que é muito conhecido pelos seus lindos desenhos, nos últimos anos tem se arriscado também como roteirista. Que sorte a nossa.
Esse gibi foi publicado em 2025 pela @pipocaenanquim . Tem 116 páginas e tradução de Fernando Paz.

Na trama, acompanhamos Eva, uma doutora em psiquiatria que anda tendo comportamentos bipolares e, por conta disso, está impedida de exercer sua profissão. Pelo menos até passar por sessões de terapia e obter novamente sua licença de trabalho. 

Enquanto isso, ela vai tentando levar sua vida da melhor forma possível, até receber um convite inusitado de Penélope, uma de suas clientes, que faz parte de uma família muito poderosa. Empolgada com a possibilidade de presenciar o caos de uma família muito rica brigando por herança, ela aceita o convite. O que Eva não esperava era encontrar um cadáver e decidir, por medo de levar a culpa, investigar o caso por conta própria. Mas ela não está exatamente sozinha nessa, Eva conta com a ajuda das vozes que não saem da sua cabeça.

Turma, temos aqui uma excelente história de investigação policial que mistura drama, suspense e comédia. Tudo isso de uma forma muito leve, mas sem perder a mão na hora de tratar temas sérios. Neste caso, a saúde mental.
A protagonista é uma psiquiatra que está enfrentando distúrbios mentais e, por mais estranho que isso possa parecer, é bem comum esse tipo de situação. É por isso que toda a trama se desenrola durante uma sessão de terapia, com ela contando como foi sua semana. Incrível!

Com isso, Jordi Lafebre consegue nos entregar uma história muito divertida e uma personagem apaixonante cheia de carisma e com muitas camadas que são e podem seguir sendo exploradas. Não à toa, o autor já lançou uma nova história, que não é uma continuação dessa, mas acompanha Eva em uma nova investigação. 
P&N traz logo pra gente!

Falar da arte é chover no molhado, quem já leu “Verões Felizes” sabe do que estou falando, o que esse cara desenha é brincadeira. As páginas são absurdas de lindas, não só isso, seus desenhos parecem ter movimentos, parecem vivos.
Jordi Lafebre é fora de série. by @_lendogibi
8
10 days ago
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• “Turma da Mônica: Lições” é a 8ª edição do selo Graphic MSP, sendo o segundo de uma trilogia. Conta com roteiro e arte dos irmãos Cafaggi, Vitor e Lu.
Idealizado por @sidney_gusman , o selo tem como proposta trazer reimaginações dos personagens da @mspestudios e é seguro dizer que o selo é um sucesso absoluto e que essa trilogia já é um clássico do quadrinho nacional. 

Na trama, vamos acompanhar Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão encarando as consequências de um grande erro. Eles esqueceram de fazer o tão temido dever de casa e seus pais foram convocados pela direção da escola. 
Quem de nós nunca passou por essa situação quando criança? Esquecer de fazer um trabalho de escola e ter que inventar mil e uma desculpas para o professor e para nossos pais. Só por isso já é fácil se identificar com essa história.

Num primeiro momento, a gente até sente dó da Turma, mas sabemos que é necessário educar e corrigir nossas crianças para que elas cumpram com suas obrigações. E fazer o dever de casa é uma das maiores obrigações de uma criança, e isso é tão verdade que o próprio Cebolinha diz: lição de casa é coisa “sélia”.
Uma das coisas mais legais nessa história é o destaque que os pais da Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão têm, já que cada um castiga seu filho de uma forma. Uns são mais rígidos, outros nem tanto, e isso reflete na forma como cada criança vai reagir. Inclusive, isso faz a trama se desenrolar de um jeito bem interessante, mostrando a Turma praticamente separada durante toda a história.

Assim como no primeiro volume, os irmãos Cafaggi dão um show tanto no roteiro quanto na arte. Tudo é muito sensível: os diálogos, os traços, as cores. Tudo.
Diferentemente do primeiro volume, que tem grande foco numa aventura, essa continuação é muito mais comovente e dramática. É muito difícil não se sentir tocado com toda a situação da Turma.
No fim, todos aprenderam uma lição muito importante, não apenas as crianças. by @_lendogibi
2
12 days ago
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• “Contraponto: Os Filhos Dos Outros” conta com roteiro e arte da quadrinista espanhola Teresa Valero. Este é seu primeiro trabalho solo e marca, também, sua estreia no Brasil, e não poderia ter começado melhor.
Foi publicado pela @canalcomixzone esse ano. Tem 152 páginas e tradução de Fernando Paz.

Na trama, acompanhamos Léon Lenoir, um jovem jornalista que é filho de um comunista morto na Guerra Civil da Espanha, e Emilio Sanz, um repórter bem mais experiente e militante falangista.
Juntos, eles começam a investigar a morte de uma mulher que a princípio parece ser apenas mais um caso. Mas logo eles descobrem que aquele assassinato faz parte de algo muito maior, e mesmo tendo pensamentos totalmente diferentes, precisam se unir para denunciar mais um de vários atos brutais da ditadura franquista.

Partindo dessa premissa, a trama se desenrola no maior estilo de investigação policial, recheada de tensão, suspense e mistério.
A história aborda com muita veemência o controle sobre os direitos das mulheres e o forte preconceito que elas, junto das pessoas “desviadas” (não vou falar sobre isso para não dar spoilers), sofreram naquela época. E, claro, colocar dois jornalistas como protagonistas não foi um mero acaso, a história trata também da censura na imprensa, algo bem comum em governos ditatoriais. 

Para mim o ponto alto é colocar dois protagonistas totalmente em lados opostos para trabalharem juntos. Um é de esquerda e outro de direita, um é jovem e ainda acredita no poder de reportar, o outro já é mais velho e está desacreditado. A relação deles evolui conforme percebem que todas as suas diferenças não são nada comparadas ao real problema que estão enfrentando.

Já posso dizer com certa tranquilidade que Teresa Valero é excelente, tanto no roteiro quanto na arte. 
O roteiro é muito bem amarrado e isso é louvável, já que a história é totalmente amparada num contexto histórico. Era muito fácil errar no tom ou deixar algo passar batido. A arte é lindíssima e o desenho consegue nos entregar um clima sufocante durante a leitura.
Apesar de ter uma continuação, que espero que a CZ! traga o quanto antes, é importante dizer que essa edição é uma história completa. by @_lendogibi
6
24 days ago
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• TURMA DA MÔNICA: LAÇOS 🗯️

“Turma da Mônica: Laços” é a 2ª edição do selo Graphic MSP, sendo a primeira de uma trilogia. Conta com roteiro e arte dos irmãos Cafaggi, Vitor e Lu.
Idealizado por @sidney_gusman , a ideia do selo é trazer reimaginações dos personagens da @mspestudios , sempre respeitando suas características, mas deixando os autores livres para colocar suas ideias.

Na trama, vamos acompanhar a turminha mais amada do Brasil procurando o Floquinho, que desapareceu. É óbvio que Cascão, Mônica e Magali seguirão um plano infalível do Cebolinha, e é mais óbvio ainda que esse plano vai colocar a Turma em muitas aventuras, confusões e situações pra lá de especiais.

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A história é daquelas aventuronas divertidas, mas coberta com momentos de muita emoção. É o clichê onde amigos se unem para resolver um problema e acabam gerando outros problemas, talvez até piores. 
E quando um clichê é bem executado, não tem erro. O carisma desses personagens que tanto amamos rouba a cena, e tudo fica ainda melhor com a sensibilidade dos autores.

Sensibilidade essa que é notada em cada balão, em cada quadro, em cada traço e em cada cor escolhida. É nítido que eles tiveram muito cuidado e respeito para reimaginar esses personagens, mas também foram ousados e corajosos e é isso que torna essa história, que tem uma premissa simples, tão especial.

É uma história que poderia ser apenas mais uma de muitas que já lemos com a Turma da Mônica, mas todos esses detalhes que citei fazem dela muito especial. Não à toa virou filme. Não à toa já é um grande clássico do quadrinho nacional.
Se você é fã dessa turminha (cá entre nós, quem não é?), com certeza vai terminar esse gibi com o coração quentinho e doido para ler os próximos volumes. by @_lendogibi
8
a month ago
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• NOTURNOS 🗯️

“Noturnos” conta com roteiro e arte de Laura Pérez.
Acabou de ser publicado pela @riscoeditora através de financiamento coletivo no Catarse. Tem 192 páginas e conta com tradução de Elisa Menezes.

O que são os sonhos? São reais?
É algo que vem diretamente do nosso subconsciente? Talvez da nossa imaginação?
Ou será que sonhos são sobrenaturais?
E a noite, que geralmente é quando estamos tendo sonhos ou pesadelos, é mesmo perigosa? 

Partindo dessa premissa, Laura Pérez traz uma história que é dividida em alguns personagens vivendo momentos e situações cotidianas, que podem parecer banais, mas afetam profundamente cada um deles. A ideia é trazer reflexões sobre a noite, os sonhos e a consciência e como tudo isso afeta cada ser de forma única.
Apesar de não ser, necessariamente, uma série de contos, toda a trama se desenrola com histórias distintas a cada capítulo, mas sempre tocando no mesmo tema.

Noturnos não é uma história convencional, não tem início, não tem meio, nem fim. Também não temos um vilão, muito menos um conflito óbvio durante a trama. É uma leitura reflexiva e muito pessoal, não que qualquer leitura não seja totalmente pessoal, mas esse quadrinho traz algo além que é até difícil explicar em palavras.

O impacto visual é imediato. Os desenhos são lindos, mas além das belas páginas, temos uma história tão boa quanto intrigante. É difícil se satisfazer com apenas uma leitura, as possibilidades dessa história são tantas que se faz necessário relê-la algumas vezes. Não por ser uma leitura difícil, longe disso, a leitura é muito tranquila, mas as reflexões são tantas que fazem você ficar matutando tudo o que acontece nas páginas desse gibi.
Será que aquilo aconteceu mesmo, ou foi só fruto da imaginação do personagem?

Tenho certeza de que na próxima vez que eu abrir esse gibi, minha experiência de leitura será totalmente diferente. by @_lendogibi
2
a month ago
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• NÃO SOU ORLANDO 🗯️

“Não Sou Orlando” tem roteiro e arte de Helena Cunha ( @helenacunhas ) e foi um dos finalistas do Prêmio Jabuti 2025.
Tem 64 páginas e foi publicado de forma independente. Você pode comprá-lo diretamente com a própria quadrinista.

Na trama, vamos acompanhar a tentativa de Helena Cunha de adaptar Orlando, de Virgínia Woolf, mas, durante o processo, as coisas saem do caminho e, arrisco dizer que o resultado não poderia ter sido melhor. Nessa tentativa, Helena se deparou com muitas lembranças da época em que se descobria lésbica e dividia um apartamento com um amigo muito querido.
Aquilo que seria “apenas” uma adaptação se transforma num registro íntimo da autora sobre seu passado.

A premissa pode parecer confusa, mas Helena consegue estruturar a história de uma maneira muito natural. A tarefa não era fácil, já que a história se desenrola em três fios narrativos. Mesmo assim, em nenhum momento eu me senti confuso durante a leitura, é sempre muito fácil identificar se ela está se referindo ao Orlando, à Virgínia Woolf ou a ela mesma.
Sobre a arte, Helena segue com seu próprio estilo. Os desenhos podem até parecer “simples”, mas são muito delicados e conseguem traduzir muito bem o que muitas vezes não está nos balões de fala.

Se não ficou claro, “Não Sou Orlando” é uma história muito pessoal, logo, exigiu muita coragem da autora. E nós, leitores, fomos recompensados por isso.
É uma história muito sensível que, mesmo sendo uma leitura rápida, com certeza vai fazer você terminá-la emocionado. by @_lendogibi
8
2 months ago
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• ANTES QUE O UNIVERSO NOS DESTRUA 🗯️

“Antes Que O Universo Nos Destrua” é escrito e desenhado por Gabriel Dantas, mais conhecido por aí pelas suas tirinhas do @bifedeunicornio .
Esse gibi foi lançado em 2022 pela Ugra Press em formato de zine. Agora, a @editoratavernadorei trouxe pra gente essa nova edição com mais conteúdo.

Na trama, acompanhamos o protagonista que não tem seu nome revelado em nenhum momento da história. Ele convive com agressões físicas e psicológicas que partem de Josiene, sua própria mãe, que não esconde de ninguém que não queria tê-lo como filho. Suas escapadas dessa triste realidade estão nos gibis e no amor que recebe de sua avó.
A situação parece piorar quando sua mãe embarca em um novo relacionamento e o obriga a passar as férias na casa de praia do seu novo namorado, que já tem dois filhos. 
Logo de cara, o protagonista e seus meios-irmãos se identificam. Infelizmente, eles compartilham a mesma situação: um ambiente familiar abusivo e violento.

Fui impactado por essa história. Tanto pela sensibilidade do Gabriel Dantas em tocar e explorar temas muito sensíveis quanto pela capacidade de fazer isso de forma leve. Você se pega rindo em momentos que não deveriam ser engraçados.
Mas não se engane, mesmo com essa leveza a história é bem direta e sem rodeios, o que faz com que a leitura seja desconfortável quase o tempo todo. O convívio dos três meios-irmãos traz um quentinho no coração e a esperança de que o final possa ser feliz. Mas a cada capítulo a história deixa claro que é improvável que isso aconteça.

Mesmo não sendo uma história tão longa, você se apega aos personagens e consegue entendê-los como se o autor tivesse tido 300 páginas para aprofundar cada um deles. Mas foram apenas 80 páginas, e mesmo assim você se vê totalmente imerso em seus dramas e suas histórias.
Os desenhos “fofinhos” contrastam com a história, que traz uma dura realidade que a gente sabe que existe dentro de muitas famílias.

Eu não sou um grande leitor de tirinhas, mas depois de ler esse gibi, com certeza vou acompanhar de perto os trabalhos do Gabriel Dantas. by @_lendogibi
8
2 months ago
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• A NATUREZA DAS COISAS 🗯️

“A Natureza Das Coisas” é escrito e desenhado por Israel Castilho. É impressionante saber que este é seu primeiro trabalho.
Tem 60 páginas e foi publicado pela @dommordaz através de financiamento coletivo via Catarse.

Na trama, acompanhamos Humberto retornando à sua cidade natal para encarar o passado que ainda o atormenta. Há 25 anos, o destino lhe pregou uma peça e, desde então, sua vida nunca mais foi a mesma.
O ano era 1998, e aquele final de semana parecia mais um, como muitos outros. Mas, infelizmente, Humberto sofre um terrível acidente de carro ao lado de seus amigos, que acabaram desaparecendo.

É um quadrinho que retrata o luto de forma visceral e, não só isso, mostra como é importante enfrentar esse processo o quanto antes, respeitando seu tempo e seus limites, mas nunca deixando de seguir em frente.
Isso não quer dizer que seja fácil, mas negar que isso faz parte do nosso destino torna a situação muito mais difícil.

A morte faz parte da vida, é impossível evitá-la ou tentar enganá-la. Assim como o destino também não está em nossas mãos, por isso não é justo nos culparmos pelas coisas da vida. E tentar mudar isso é uma tentativa falha de não seguir a natureza das coisas.

Apesar de tocar num tema comum e muito discutido em diversas obras, esse gibi tem um diferencial: a sensibilidade do Israel Castilho.
Toda a trama se desenvolve de uma forma fascinante. Mesmo que as resoluções não sejam entregues na cara do leitor, tudo está ali. De um jeito único e muito especial.

A arte é lindíssima e rica em detalhes, mas sem chegar ao ponto de soar realista. Gostei demais! O roteiro é forte, visceral e com uma profundidade que te permite ler e reler.
É uma excelente estreia e, cá entre nós, estrear com uma porrada dessa é totalmente fora da “natureza das coisas”. by @_lendogibi
8
2 months ago
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• ENTROPIA TROPICAL 🗯️

“Entropia Tropical” conta com roteiro de Gabriel Arrais e desenhos de André Freitas. Tem 38 páginas e ganhou vida em 2026 por meio de financiamento coletivo via Catarse.

Na trama, acompanhamos o dia a dia da pequena cidade Amanapauá no ano de 1999, que é castigada por uma grande enchente. Isso por si só já seria péssimo, mas fica ainda pior quando essa enchente começa a revelar segredos, mentiras e pecados de toda a vizinhança.

A história parte do conflito entre duas mulheres, Dona Alva e Maria. Elas estão em momentos totalmente diferentes da vida. Dona Alva já está na meia-idade e é a típica fofoqueira do bairro. Cuida da vida de todo mundo, julga a rua inteira e sempre quer ter razão. Apesar disso, leva sua vida numa solidão profunda enquanto tenta cuidar da sua, já quebrada, família. Maria é jovem, acabou de chegar em Amanapauá e conta com a ajuda de sua prima para recomeçar sua vida, que, segundo Dona Alva, faz programas. 
Apenas isso já seria suficiente para dar confusão, mas para piorar o que já estava ruim, o filho da Dona Alva se apaixona pela Maria.

Apesar de a história se passar em uma cidade fictícia, ela poderia facilmente acontecer onde você mora. Entropia Tropical aborda muito bem a hipocrisia do ser humano e o quanto todos têm segredos escondidos. E geralmente aquela pessoa que se vende como “certinha” e sem defeitos, costuma ser quem carrega os segredos mais terríveis.
Eu queria falar mais da trama e de seus personagens, mas a história é curta e qualquer coisa pode estragar sua leitura. Só posso dizer que é fascinante o quanto todos aqui são detestáveis e como a história vai escalonando numa série de situações caóticas que culminam em um final surpreendente.

Gabriel Arrais mandou bem demais no roteiro, a crítica é ácida e direta. A trama é muito bem amarrada e faz você sentir raiva dos personagens. Além do mais, aqui não há concessões, tudo é mostrado e “falado” do jeito que deve ser, dos diálogos aos desenhos. E por falar nos desenhos, André Freitas entrega lindas páginas com personagens expressivos e cenários ricos em detalhes que te transportam para o ano de 1999.
Estão de parabéns, é uma excelente história. by @_lendogibi
8
2 months ago
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• A BALADA PARA PASSEAR 🗯️

“A Balada Para Passear” tem roteiro e arte de Camilo Solano ( @camilo.solano )
Tem 112 páginas e foi publicada pela editora @conrad_editora em 2024. E nunca é demais falar, foi semifinalista do Prêmio Jabuti.

Na trama, acompanhamos Ágata, uma jovem que larga o interior para tentar a sorte na cidade grande. Sem muitas oportunidades, ela ganha seu suado dinheirinho como “dog walker”. No bom e velho português, ela é paga para passear com cachorros na rua.

Sua vida está tranquila, até desenvolver crises de pânico, crises essas que surgem por dois motivos: o vício em escutar podcasts sobre crimes, aliado ao medo de morar em São Paulo. Até porque, infelizmente, o crime e São Paulo andam lado a lado.
Juntando o medo da cidade com o medo de ficar sem emprego, ela segue passeando com os cachorros, só que agora é com o carro.
Mesmo com todo o cuidado, o inevitável acontece. Ágata é sequestrada por uma dupla de ladrões muito, mas muito atrapalhados e agora seu maior pesadelo se transforma em realidade.

Turma, que gibi engraçado! 😂
A história é recheada de momentos divertidos, engraçados e absurdos.

Apesar de ser uma história de humor nonsense, Camilo não deixa de inserir críticas aos problemas de uma cidade grande (leia-se São Paulo) e, de certa forma, à romantização do “true crime”. Mas tudo isso é apenas pano de fundo, o ponto alto desse gibi está no humor escrachado e nas situações absurdas. Ágata levando os cachorros para passear de carro é apenas uma dessas situações.

Eu gostei bastante desse gibi e adoro a arte do Camilo Solano, que aqui combinou muito bem com o tom da história. Os personagens são exagerados, escrachados e em muitos momentos você já dá risada só de ver os desenhos. Outra coisa interessante é o quanto todos os personagens, literalmente todos, são engraçados.
Tudo ficou ainda melhor depois de ler o posfácio, Camilo diz que toda a história é baseada em experiências vividas (ou não) por ele.

Um gibi muito legal, com uma história despretensiosa, mas capaz de arrancar boas risadas. by @_lendogibi
10
2 months ago
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